18.1.09

Carla Teixeira, Licenciada em Ciência de Computadores, Dublin, Irlanda.


Tirei o curso de Ciência de Computadores na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, curso esse que acabei em 2006.
Não foi a minha primeira escolha mas devido ao sistema de educação Português fraco e injusto não consegui, por 2 décimas, entrar no curso de Medicina que tanto ansiava. Isto devido essencialmente a médias inflacionadas pelo "pagar" de notas que tanto na moda estava nessa altura (em 2001) em Portugal.
Foi nessa altura que tomei a decisão de que o meu objectivo de vida seria procurar melhores coisas fora de Portugal.
Sei que era demasiado nova para tomar uma decisão tão drástica mas tendo vindo de uma família de pessoas maioritariamente inteligentes, cultas e com padrões morais e profissionais muito elevados, sabia exactamente o que era ser ostracizada numa sociedade de pessoas mesquinhas, tacanhas e ignorantes. Claro que falo na generalidade já que fiz alguns bons amigos nessa sociedade. Por isso decidi prosseguir os estudos na Faculdade de Ciências, desanimada e desmotivada mas com um objectivo fixo: sair de Portugal e usar o meu grau para isso.

Deparei-me na faculdade com o mesmo tipo de mentalidade que havia encontrado no secundário: professores que davam as notas a quem lhes dava "graxa" (e só muito raramente a quem realmente merecia), as bolsas eram atríbuidas a pessoas que estavam há 11 anos no curso só porque tinham uma média superior em menos de 1 valor a uma pessoa que estava a fazer o curso nos anos certos (este caso é real e eu conheci ambas as pessoas), os professores tratavam os alunos com "baixa prestação académica" ou com sentido crítico (que invariavelmente levava a baixa prestação académica) como lixo, os (verdadeiros) trabalhadores-estudantes eram tratados como burlistas já que mais de 50% das pessoas que pediam o estatuto eram na realidade trabalhadores ficticios nas empresas dos pais, etc. etc.
Mas nem tudo foi mau. O curso era excelente. Os assuntos de estudo eram muito interessantes. Consegui uma bolsa para trabalhar em França durante um mês numa coisa que gostava bastante (o que contribuiu para aumentar o meu desejo de sair do país). E acima de tudo conheci mentes brilhantes e inovadoras (professores e alunos) que ainda hoje admiro.
Se entrei na faculdade desanimada saí deprimida.

Passei uns meses a tentar arranjar emprego porque queria continuar os estudos e tirar um mestrado ou doutoramento. E num país em que se fomenta a "desqualificação" da mão de obra por ser mais rentável para os patrões (já que o salário fica mais baixo) não foi tarefa nada fácil.
Para exemplificar, ponho em baixo alguns diálogos (absurdos) que tive em entrevistas e e-mails de empregadores nessa altura:

Diálogo 1:
Empregador: "E quer tirar mestrado é?"
Eu: "Sim. Pretendo estudar até ao doutoramento."
Empregador: "Ah, então não quer trabalhar!"

Diálogo 2:
Empregador: "A menina tem licenciatura e quer tirar mestrado, é isso?"
Eu: "exacto."
Empregador: "Pois então acho que terá qualificações a mais para este trabalho"
(O trabalho referido seria desenvolvimento de software numa dada área pioneira e inovadora em Portugal)
--

Fazendo fast-forward para quando finalmente consegui trabalho, numa das empresas o patrão pagava tarde e a más horas (quando eu não tinha que pressionar para ter o salário), enganava os clientes, etc.
Noutra das empresas as pessoas eram exploradas, trabalhando fins de semana e horas extra sem serem recompensadas por isso e sendo-lhes dito que a profissão de informático era mesmo assim e que deviam dar graças a Deus por lhes terem dado trabalho. Para além de serem dispensadas pessoas com 10 ou mais anos de casa só por criticarem a gestão da empresa.
Enfim, apenas uma empresa me ficou no "coração" por me abrir horizontes e por ter um trabalho com qualidade e seriedade como não acontece frequentemente em Portugal. E foi essa que me custou mais deixar. Mas essa trabalhava para clientes maioritariamente estrangeiros, o que me permitiu comparar os padrões de exigência e seriedade entre as empresas Portuguesas e Estrangeiras.

E assim, após ter encontrado uma alma gémea que se dispôs a seguir-me até à Irlanda, consegui ter um pé-de-meia para alcançar o meu sonho.

E adoro estar cá!
As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias (não há o culto do xico-espertismo), cívicas, tolerantes. Nunca sofri xenofobia ou descriminação como sofri em Portugal (sentir descriminação de compatriotas dói muito mais que o sentir de estrangeiros).
O trabalho é sério, exigente e com qualidade. Os prazos são para ser cumpridos mas são estimados com perspectivas realistas porque as pessoas que o fazem são competentes. O meu desejo de fazer mestrado foi acolhido com entusiasmo e ser-me-á dado um financiamento para o fazer se eu assim o quiser. O meu mérito é reconhecido ao ponto de receber emails de superiores a dizer "Obrigado pelo trabalho bem feito". O salário é o dobro do que tinha em Portugal.
A cidade é bonita apesar do tempo chuvoso e com muito planeamento urbano.
Enfim, sou feliz agora. Sinto falta da família e dos amigos (muito poucos) mas só o voltar pelo Natal deixa-me deprimida novamente ao ver que nada mudou no País.
Não conto voltar. Se me fartar daqui vou para outro país que não Portugal.

Mais informações sobre a minha aventura e contactos em:
http://ccatdublin.blogspot.com/

58 comments:

Ana Rita Abreu said...

Olá Carla,
Apesar de ter optado por uma área distinta da tua (Turismo), concordo plenamente contigo - nos aspectos ligados a Portugal e a Dublin também.
Vivi em Dublin 8 meses e actualmente vivo em Leitrim (vida pacífica, mas o amor tem destas coisas!).
A ideia que sempre tive de explorar o mundo para além da soalheira Lusitânia, concretizou-se em setembro de 2007 e honestamente... gosto de viver fora - mudar de país eventualmente, mas não me vejo a voltar para Portugal.

Enjoy the crack! :)
Tudo de bom!

Rita

A C said...

Olá Rita,

Obrigada pelo apoio!
Que tudo corra bem contigo e que sobretudo o amor nunca falte :)

Felicidades!

Carla

Rafael said...

"As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias (não há o culto do xico-espertismo), cívicas, tolerantes"

Há uma grande diferença entre a mentalidade portuguesa e os portugueses e dizer que os portugueses não são trabalhadores é ridiculo.
E ir para uma entrevista de emprego dizer que se quer ir tirar mestrados e afins não fica bem. Até se pode querer mas não se vai dizer na entrevista quando não se sabe como será a receptividade do outro lado...

De resto tens razão, Portugal é muito limitado e muito atrasado. Qualquer pessoa que saia deve ser vista com bons olhos porque está a dar um passo em frente. Boa sorte!

A C said...

@Rafael:

Olá Rafael,

Obrigado pelo teu feedback!
Gostava apenas de deixar a minha opinião em relação a certos pontos:

"dizer que os portugueses não são trabalhadores é ridiculo."
Esta foi a minha experiência. O que não quer dizer que toda a gente tenha a mesma ideia. Mas a verdade é que conheci gente bastante trabalhadora... mas sinceramente era uma minoria! E a excepção confirma a regra.

"E ir para uma entrevista de emprego dizer que se quer ir tirar mestrados e afins não fica bem."
Desculpa mas discordo totalmente! Quando o mestrado vai interferir com o contrato de trabalho não é uma coisa que se deva esconder! A verdade é que aqui onde estou se dá valor ao mestrado porque é uma coisa que valoriza a empresa também! Principalmente numa área como a minha em que a constante actualização e formação dos recursos humanos é fundamental.
E porque não há-de ficar bem demonstrarmos que apostamos na formação como maneira de melhorar a qualidade do nosso trabalho? Pelo menos para mim uma empresa que não valorize esse factor não é uma empresa em que eu queira trabalhar!
Esta é mais uma grande diferença entre as empresas Portuguesas (a maioria delas) e as Estrangeiras.

Mas é sempre positivo ouvir uma opinião diferente da nossa!

Felicidades!

Carla

Anonymous said...

Ainda bem que foi. Com esse discurso (onde não vi inteligência, cultura e, definitivamente, valores morais) não se perde muito. Com sorte ainda é recambiada para cá e nós é que nos lixamos!

João Costa

A C said...
This comment has been removed by the author.
Ana F. said...

Estes que a criticam são os que têm dor de cotovelo por nunca terem arriscado a sair do país mesquinho onde vivemos (alguns comentários que se encontram por este blog são prova disso!).

E provavelmente são, também, aqueles que davam graxa aos professores e é precisamente por isso que lhe escrevo. Estou no segundo ano do meu curso e comecei a aperceber-me dessas situações em que alguns alunos são prejudicados (eu já fui prejudicada em duas disciplinas neste semestre).

Quando leio estas histórias fico ainda com mais vontade de sair de cá. Aliás, também eu pretendo tirar mestrado e quiçá doutouramento, fora de Portugal. Porque aqui, está mais do que visto que ninguém valoriza o nosso esforço! E enquanto as mentalidade não mudarem, Portugal não evolui!

Toda a sorte do mundo aí por fora! :)

A C said...

Só queria deixar aqui um pequeno comentário:

Estamos aqui neste blog para deixar as nossas opiniões e experiências de vida.
Não pretendi insultar ninguém nem ferir susceptibilidades. Se bem que sabia que isso iria inevitavelmente acontecer uma vez que as minhas opiniões são tudo menos favoráveis.
No entanto não vou mudar a minha maneira de ser ou pensar só porque algumas pessoas me acham burra, inculta ou sem valores morais.

A C said...

@ Ana F.:

Muito obrigada pelo apoio!
Não te deixes desanimar por essas situações! Continua em frente e não olhes para trás!

Se estiveres a pensar em vir para a Irlanda não hesites em entrar em contacto!

Felicidades!

Carla.

Anonymous said...

Caros,
Tb eu vivo em Dublin e ja tive oportunidade de aqui deixar o meu testemunho. Apenas vos digo, que acho que estao a ser radicais. Dublin tem vantagens em relacao a Portugal e as condicoes de trabalho sao uma delas, mas tambem tem muitos problemas que nao existem em Portugal. Pessoalmente acho que o Paraiso nao mora aqui e "Navegar 'e preciso"!!!.....

Rafael said...

Carla, quando me referi em abordar esses assuntos na entrevista é precisamente por esses factores não serem bem vistos em PT, nas entrevistas não vou dizer o que penso mas sim o que o entrevistador quer ouvir, caso contrário ficava desempregado toda a vida.
Não confundas, porque acho muito bem que continues os teus estudos, claro que fora de Portugal, em PT estudar é uma perda de tempo porque os professores têm agendas escondidas que nada têm a ver com o ensino, e para aprender mais vale investir e fazê-lo lá fora.

Eu nunca dei graxa a um professor que fosse, mas também temos de ver o lado deles, se numa turma de 30 alunos apenas 2 mostram interesse claro que esses 2 graxistas vão ser beneficiados... claro que discordo completamente e também eu fui prejudicado graças a essas brincadeiras muitas vezes.

Como comentário final deixo aqui a minha ideia, Portugal vai afundar-se, mais cedo ou mais tarde, a questão é ver quem consegue dar o salto antes disso acontecer, porque é inevitável. Com esta mentalidade o país não avança, nem vale a pena ter esperanças.

Muito boa sorte e vai escrevendo no teu blog para inspirares mais pessoas a darem o salto.
Afinal o povo portugues está cada vez mais dividido em dois, os que não dão o salto e continuam com a mentalidade que sabemos e os que dão (ou pelo menos tentam dar) e esses sim, que são de valor :)

A C said...

@Anonymous:

Obrigado pelo aviso! :)
Sei que nada nem nenhum país é perfeito mas para já estamos a dar-nos muito bem por aqui.
Mas a nossa intenção não é assentar aqui a vida inteira.
Contamos ver outras coisas antes de decidirmos que queremos fazer vida onde quer que seja.

@Rafael:
Concordo plenamente contigo... Infelizmente a realidade é mesmo essa. Talvez as minhas más experiências se tenham devido muitas vezes ao facto de eu dizer "o que acho" em vez do que "aquilo que eles queriam ouvir".
E eu tenho (e tinha) consciência disso... só não me conformava com essa maneira de pensar. Por isso "saltei fora".
Obrigado pelo feedback!

Hugo said...

Bonito! Lindo! Lindissimo!

Adorei o teu post e li cada palavra tua como se estivesse a beber gotas de agua no deserto mais arido do planeta.

Um grande abraco de Toronto!

PS: o banco onde estou a trabalhar ate se mostrou disponivel a pagar o meu mestrado ou parte dele ;-)

Hugo said...

"As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias (não há o culto do xico-espertismo), cívicas, tolerantes."

Adoro estes portugueses que se julgam superiores aos outros e resolvem mandar bitaites...
Mentalidade tacanha

Anonymous said...

Mais um post de um tuga ressabiado

A C said...

@Hugo (de Toronto):

Obrigado pelo apoio! :)

Um abraco aqui da Irlanda também!

Gabriela said...
This comment has been removed by the author.
Anonymous said...

Viva,

A propósito do último comentário:


"As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias (não há o culto do xico-espertismo), cívicas, tolerantes."

Acho que é um bocado levado ao extremo. Em todo o mundo vais encontrar pessoas assim. Vais ter pessoal que trabalha imenso e pessoal xico esperto, não tenhas ilusões. Em Portugal é um pouco mais escandaloso, talvez por ser o nosso país de origem/maior vivência e pela sua dimensão. A título de exemplo, tenho família pelo Canadá que atravessa as mesmas dificuldades no mundo profissional.

Quando à questão de tirar um mestrado, penso um bocado ingénuo dizer logo numa entrevista que a tua prioridade é tirar um mestrado. Há várias maneiras e timings para dizer uma coisa, e uma entrevista de emprego não é o melhor momento. Devo dizer que passei pelo mesmo: e a empresa onde estava sugeriu adaptar o meu horário de trabalho à frequência de mestrado. Talvez tenhas tido azar com o empregador.
Eu tirei o mesmo curso que tu, provavelmente na mesma altura. Quanto a esse tópico, claro que o curso não tem o melhor ambiente. Mas antes de mais, há que ter em conta que é um curso muito específico e também pouco actual.

Eu não tive qualquer problema em arranjar emprego. Tive sim em escolher qual queria. E com as mesmas habilitações que tudo. Claro que muito trabalho tem que ser feito numa entrevista. Se tomas uma posição mais agressiva como essa de insistires em tirar um mestrado na altura da entrevista, as coisas serão mais difíceis. O que aconteceu comigo foi que comecei a ver que a formação que tinha do curso era muito limitada e pouco actual. Assim, entrei para um curso de Mestrado em Engenharia Informática. Apesar de não haver essa grande ajuda da empresa se propor a (co-)financiar a formaão complementar, não me foram postas barreiras impeditivas. è muito cansativo é certo, mas tudo se consegue.

Na nossa área vê-se muito estudantes/recém-licenciados a criar start-ups, o que acho que é fantástico. E não são empresas de treta, estão mesmo a andar bem. Num futuro próximo e com mais experiência gostava de fazer o mesmo. Penso que é uma boa forma de contornar este problema crónico de empregabilidade em Portugal. E, pessoalmente, atrai-me muito mais.

Não estou a dizer que Portugal é um paraíso. Longe disso. Imagino que na Irlanda seja melhor ou mesmo noutros países. Do que tenho contactado com colegas meus, está melhor. Mas todo o sítio tem os seus problemas. Confesso que me chocou um pouco esta parte:

"
[...]mas tendo vindo de uma família de pessoas maioritariamente inteligentes, cultas e com padrões morais e profissionais muito elevados, sabia exactamente o que era ser ostracizada numa sociedade de pessoas mesquinhas, tacanhas e ignorantes. Claro que falo na generalidade já que fiz alguns bons amigos nessa sociedade.
"

Enerva-me um pouco esta postura. Se eu fosse por esse caminho, então era o maior da minha aldeia, visto que sou filhinho de dois professores catedráticos condecorados internacionalmente. Ao ler fico com a sensação de que te colocas acima do resto do povinho e que, por sorte, lá no meio até acabas por destacar um ou outro infeliz inteligente. Talvez essa sociedade em que tu, vítima "ostracizada", te situas, te possa trazer coisas bem boas, que tu nem sequer arriscaste a tentar. Talvez, trabalhando em equipa e, aliando as tuas qualidades às qualidades dos outros, possas ser alguém melhor e essa sociedade tacanha e mesquinha possa evoluir.A isso chama-se empreendedorismo e garra.

Não estou a dizer que não tenhas qualidades nem que tenhas feito mal em sair. Acho que fizeste bem, foste atrás dos teus sonhos. É apenas o tom em que o dizes, como se o mundo estivesse contra ti. Eu vi muito essa atitude no cursoe continuo a vê-la, o que me entristece profundamente.

As maiores felicidades.

Hugo said...

Respondendo à Ana F,não tenho nenhum dor de cotovelo por nunca ter saído do país, visto que trabalho em Macau e saí de Portugal em 2005.
Por trabalhar fora, nunca terei esta postura ridícula, de me julgar pertencer a uma casta superior de "elevados valores morais".
Aliás este post transpira ressabiamento.

A C said...

@ Gabriela:

Agradeco a tua opiniao sincera! Eu sei que por vezes sou um pouco bruta a dizer as coisas, principalmente quando estou emocionalmente envolvida nelas. É e sempre será um dos meus defeitos! :)

E eu nao disse que a minha prioridade era o mestrado... disse apenas que o queria tirar. Nem mais nem menos, acredites ou nao! Talvez tenha tido (muito) azar com os empregadores que encontrei mas é disso mesmo que eu falo: da minha experiencia única, pessoal e intransmissivel.

E nao sabes se nao tentei criar também uma empresa minha, ou criar equipas com outras pessoas - nunca ouvi ninguém que tivesse trabalhado comigo no curso ou no emprego dizer que eu era má nisso - ou mesmo juntar-me a outros... isso é mentira!

E eu sei que muita gente no curso me considerava arrogante e convencida... como também achavam isso doutras pessoas com quem eu me dava muito bem. Nao se pode agradar a gregos e a troianos.

E sim, tal como disse no post... encontrei gente muito boa pelo caminho... e a maioria delas estao no estrangeiro! E foram prejudicadas sem sentido! Sinto por mim como sinto por elas.

E eu nao acho o curso pouco actual. Especifico sim mas nao desactualizado. E acho que tem potencial para formar muita gente competente.

Mas sinceramente, obrigado por teres sido sincera!

Felicidades!

Anonymous said...

Olá!

@A C:

Agradeço pela tua resposta ao meu comentário.

Apenas para esclarecer, não emiti nenhum juízo de valor sobre a tua competência. Não tenho direito nenhum de o fazer nem o pretendi. Se passei essa imagem, não foi a minha intenção.

Felicidades!

Anonymous said...

Aprecio verdadeiramente as pessoas que vão trabalhar para fora. O que não compreendo é que depois de lá estarem venham apenas maldizer Portugal e afirmar experiências pessoais como generalizações de carácter, de tipo de empregadores, trabalhadores, ou que seja. Vivo e trabalho em Portugal. Tirei um curso com poucas perspectivas de emprego e nunca me pude queixar do que fui arranjando. Neste momento, depois do mestrado, estou a fazer o doutoramento enquanto trabalho. Ambos pagos pela entidade empregadora. Comigo trabalham pessoas de todos os géneros. Já vivi alguns meses fora de Portugal e não é por isso que Portugal é pior ou melhor que o resto. Desde que não falem de modo generalizado, por mim, tudo bem.

A C said...

"O que não compreendo é que depois de lá estarem venham apenas maldizer Portugal e afirmar experiências pessoais como generalizações de carácter, de tipo de empregadores, trabalhadores, ou que seja."

Eu nao maldice de Portugal quando saí... dizia, pensava e agia antes de sair... :) Por isso é que saí...

Anonymous said...

A generalização continua a fazer-se. Existem muitas pessoas que são felizes e tiveram sorte no nosso país. Custa-me a lengalenga do Portugal enterra-se e lá fora é que é bom...conversa de emigrante!

Anonymous said...

Este post denota alguma ingenuidade, mas percebo essa tua "raiva". Eu sentia o mesmo, mas passei à "fase seguinte" - estou bem onde estou, e comigo mesma. Todos os países têm "vícios", se calhar ainda é cedo para nos apercebermos que afinal "também é como em Portugal". Quanto a "tendo vindo de uma família de pessoas maioritariamente inteligentes, cultas e com padrões morais e profissionais muito elevados, sabia exactamente o que era ser ostracizada numa sociedade de pessoas mesquinhas, tacanhas e ignorantes"... ora, ora, exagerámos um bocadinho, não? Boa sorte para todos,
Marta@Lux

Anonymous said...

este foi o primeiro post deste blog que li e não podia estar mais desiludida :(
A minha opinião…
Acha injusto que quem tinha médias mais altas que as suas ficasse com as vagas em medicina? Que injustiça!!! Eles não mereciam!!! De certeza metade nem era de tão boas famílias… ah não, a culpa foi de quem pagou para entrar... e casos concretos, há? ou só dá jeito dizer que existem?
Fez alguns bons amigos nessa sociedade de pessoas mesquinhas, tacanhas e ignorantes da qual, caso não se tenha apercebido, fazia parte tal como toda a sua excelente família (inteligente, culta e com padrões morais e profissionais muito elevados). Portanto era afinal, e juntamente com os seus amigos e família, mesquinha, tacanha e ignorante. Mas pronto(s) agora já não é... foi só mudar de país…
“Por isso decidi prosseguir os estudos na Faculdade de Ciências” e porque não sair logo de Portugal? Acho que depois de tanta injustiça e sofrimento não devia ter ficado nem mais um dia… não concorda? Eu avisei… para quê tirar a Licenciatura em Portugal… os professores só dão boas notas a quem se interessa e trabalha... isso é mesmo chato!
“As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias, cívicas, tolerantes.” Tenho que confessar que não conheço a Irlanda por isso posso estar enganada e a Irlanda ser de facto um oásis… mas a verdade é que conheço bem alguns Irlandeses (de Dublin inclusive) – o que segundo os seus padrões é mais do que suficiente para generalizar - e realmente custa a acreditar… mesmo! Concordo com a parte da tolerância quanto ao resto ui ui…Ah já me esquecia, não era aos Irlandeses que se referia pois não? É que esses emigraram…

Uma pergunta retórica, há quanto tempo está na Irlanda? É que normalmente (falo por experiência própria e não só) nos primeiros tempos tudo é melhor que em Portugal, os problemas de lá não existem cá (óptimo!!!), mas depois começamos a conhecer os problemas de cá… Qualquer que seja o “cá”…

Pelo menos o café em Portugal é melhor, não? Com o Costa não vai lá….

Anonymous said...

Com essa arrogância toda não é de estranhar que tenhas poucos amigos

Hugo (o de Toronto!) said...

Aos anonimos todos (anonimos porque? e' assim tanto o medo de falar abertamente?):

Recomendo-vos vivamente a viajarem pelo mundo e se possivel trabalhar em paises diferentes. Eu ja trabalhei em Portugal e em 3 paises estrangeiros: Espanha, Belgica e Canada. Assim mesmo por essa ordem. Enquanto estiverem a viajar, recomendo tambem a leitura da Alegoria da Caverna, de Platao. E' que quer me parecer que voces todos so conhecem uma realidade... que e' a parede da caverna e as sombras que mal conseguem ver.

Eu sei que tambem e' chique falar mal do Saramago, mas experimentem ler uma obra ou duas dele.

PS: Sim, aquilo que a Carla falou sobre comprarem as notas existe. Assim como bons empregos. E nem sempre o pagamento e' feito em dinheiro. E eu ja assisti a isso...

PS2: eu felizmente durmo muito tranquilamente 'a noite, para quem ficou com duvidas sobre a minha frase anterior. ;-)

Ana F said...

Não está em questão viajar ou deixar de viajar, o trabalhar, estudar, passear fora de Portugal. Não está em questão nada disso. Também não estão em causa os acontecimentos descritos pela Carla que podem acontecer em Portugal ou, quiçá, em qualquer parte do mundo. O que está em causa é a forma arrogante como as pessoas se descrevem a si próprias, porque tiveram azar. Porque por um motivo ou outro a vida não lhes correu bem. Sistema de ensino fraco e injusto? Nunca o senti. E não afirmo que Portugal tem o melhor ensino do mundo (até porque já estudei em Espanha durante um ano). Patrões que são todos uns filhos da mãe? Uns são, outros não. Conheço pessoas que sairam de Portugal logo no final do secundário. Outras, mais tarde. Outras que foram e voltaram. Mas não aprecio o tom com que certas histórias são narradas.Boa sorte para a Carla e que ela nunca tenha de voltar a Portugal.

Anonymous said...

Hugo de Toronto... escrevi anteriromente como anonimo/a como podia ter posto o meu nome.. nao altera nada... fica a saber quem sou se disser o meu nome? passo a ter que falar menos abertamente? o que muda se disser que me chamo Raquel e escrevi o comentário "January 19, 2009 2:05 PM"?

como dei a entender(?) eu também estou a trabalhar fora de Portugal, portanto já segui metade do seu conselho...
nao conheço o livro sugerido mas pelo que percebo a crítica e a mesma que a minha, nao se pode generalizar!!! (pronto, eu também critiquei a arrogância... é que também não gosto)
eu sei que a ideia aqui e cada um contar a sua história, e se há algumas menos positivas na sua passagem por Portugal (a maioria quiçá) acho muito bem que sejam partilhadas! o que eu acho mal, o que me revoltou foi a generalização!!! todos os portuguese são isto, todos os portugueses fazem aquilo... menos eu os meus amigos e família...

não tenho pachorra para isso, e por isso critiquei!

Anonymous said...

Apoiado! Ninguém é melhor ou pior por sair ou ficar em Portugal.

Daniel Pinto said...

"As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias (não há o culto do xico-espertismo), cívicas, tolerantes."

Sinceramente Carla...ao afirmares isto não te estás a englobar no mesmo saco?

E se eu te disser que sou Português e me sinto o oposto ao teu estereótipo? E que conheço imensas pessoas como eu? Não estarás a ser tu não séria, intolerante?

É óbvio que a tua experiência de vida em Portugal não foi das melhores...mas existem milhares de portugueses que são honestos, inteligentes e trabalhadores que pretendem todos os dias contribuir para um país melhor!

Que fizeste tu para o melhorar?

Eu também estou a trabalhar no estrangeiro...mas mesmo aqui longe de Portugal tenho sempre em mente o progresso do mesmo...e existem imensas formas de o fazer. Há que ser criativo!


Por fim queria deixar aqui uma palavra de agradecimento a todos aqueles portugueses que ainda acreditam no nosso país! Nós também criticamos o nosso país...o que é normal... mas sem dúvida que lutamos para que estes aspectos negativos sejam melhorados!

Um beijo e desejo-te boa sorte tanto a nível profissional como pessoal...

Daniel Pinto

P.S: E o desprezo pelas nossas raízes não resolve qualquer ressentimento a longo prazo...não é desta forma que iremos apaziguar o ressentimento que nos levou a tomar determinada decisão!

Alice said...

Carla, és cá das minhas! Também estou em Dublin desde a Páscoa de 2008. Apesar de a minha área ser muito, diferente (Direito), sofri na pele, muitos dos pontos que referistes, com a particularidade, de que, na minha área, o normal é trabalhar de graça. Pelo que, quem tem "sucesso" na profissão, são os que têm cunha ou vivem encostados aos rendimentos da família. Quem quer ter o orgulho de triunfar sozinho sai de Portugal! SÓ VOA QUEM SE ATREVE AFAZÊ-LO!

Ana said...

Eu sou de Direito, triunfei sozinha e não saí de Portugal. Os meus pais não são ricos e consegui sempre tudo por mérito próprio. Não sou advogada, é um facto, mas porque nunca o quis ser. Mais uma vez, generalizações...

Claudette Guevara said...

Ola Carla, e todos os outros comentadores.
VEnho "meter o bedelho" aqui, porque sinto-me na obrigação e dever de deixar algumas palavras. Vou fazê-lo por pontos para não me perder no raciocínio.

1. Leio este blogue desde o inicio. Li e reli algumas histórias e comentários.

2. Não me encontro em nenhum dos grupos aqui mencionados. Sou trabalhadora-estudante, e encontro-me a terminar o mestrado em Portugal. Portanto estou um pouco à margem deste panorama vivido por muitos.

3. Não entendo o porquê de a Carla, como muitos outros, não tenha o direito de ser ressabiada, arrogante ou seja lá o que lhe queiram chamar. Se de alguma forma ela se sentiu ofendida e prejudicada em Portugal, tem mais que direito de "abrir as goelas" e gritar aos sete ventos a sua indignação. Nós fazemos o mesmo em muitas situações mais mesquinhas.

4. Prefiro ressabiados que dão a cara, e se rebeliam, do que anti-ressabiados que se mantêm no poleiro dos bitaites e dos "cuspes" para o ar.

5. Custa-me entender que muito mais depressa atiramos pedras, do que reflectimos nos factos e meditamos nos assuntos. Os ressabiamentos têm muitas causas possiveis. Uma delas é a sensação de injustiça e impotência.

6. Aproveitar o depoimento da Carla e a sua história para fazer chacota com a sua visão da sociedade, sem no mínimo conhecer a pessoa, é incrivelmente estúpido.
Se por uma lado a Carla fala de uma nação, de um povo como UM, cada um de vocês fala da Carla (UMA só pessoas) como um bicho.
Um Bolo, é muito diferente de uma fatia de bolo. Portugal e os seus habitantes são um bolo com muitos ingredientes. Para infelicidade de muitos, tem montes de defeitos e qualidades.

7. O sentido patriotico (amar Portugal), não é obrigatório. É tão natural dizer mal, como dizer bem. (característica da espécie humana)

8. Para terminar: Carla, gostei do teu "suposto" ressabiamento. Só mostra a tua garra e força. Provavelmente ainda tens sangue quente nas veias, és Latina (?) e basta. Com a idade a avançar e a vida a compôr-se, vais perceber que as acções devem ser tomadas a sangue frio e com muita distância emocional, para não ferirmos as susceptibilidades dos mais fracos de espírito.

Boa sorte para o futuro. E para o presente também.

Cláudia Gonçalves, Barcelos, Portugal

ivan said...

infelizmente, não consegui sair de portugal.

todo o cenário colocado em relação à universidade, foi um dos factores que me fez abandonar o curso de física a meio.

a forma como descreves o tecido empresarial português, é igual ao que eu passei nestes anos de trabalho. tenho tido trabalho EXACTAMENTE por não ser qualificado. trabalho precário, num deles a sofrer o mesmo tipo de exploração (trabalho de fim de semana o ano inteiro, prazos irrealistas, não pagamento de horas extra nem sequer atempadamente). num deles cheguei a ser promovido com alguma celeridade, talvez por não ter curso : pagavam bastante menos e tinham trabalho equiparado a um licenciado. obviamente, demiti-me (como noutros dois)

neste momento, apenas tenciono voltar à universidade, já com 30, para poder ter algo que me permita emigrar - lá fora ou vamos para as obras ou temos de ter qualificações.

quem fica, tem qualificações e não tem amigos e cunhas, acaba por cair no call center a ganhar salário mínimo. doutorados, mestrados, licenciados em arquitectura com média 17, este é o panorama do call center da vodafone em braga.

não critico quem trabalha, apenas quem gere as empresas. e no caso da vodafone, simplesmente se aproveita de uma forte procura de emprego - não é, de longe, uma empresa onde se escraviza quem trabalha, uma vez que salvaguarda todos os direitos... dos contratados em regime temporário.

boa sorte na jornada. espero em breve fazer-te companhia.

Hugo said...

Claudia, es mesmo barcelense!! Eu e tu temos o mesmo sangue e espirito combativo que sempre representou tao bem a nossa cidade ;-)

Ivan, foi pena nao teres terminado os estudos, mas faco votos para que consigas terminar o mais rapidamente possivel e que vas para fora do pais mostrar o teu valor. Em Portugal o trabalho duro nunca e' apreciado. Ca fora, no Canada pelo menos, o trabalho duro e' recompensado e muito reconhecido.

Abraco,
Hugo

Anonymous said...

"Em Portugal o trabalho duro nunca é apreciado"? Mas estamos a falar de quê? De todas as pessoas que trabalham ou só de algumas? Tenho pena que o teu trabalho em Portugal, se é que existiu, nunca tenha sido apreciado. Mas a falares assim, também tenho pena que o meu trabalho e os meus impostos tenham financiado a instituição de ensino público portuguesa na qual tiraste o curso e todos os serviços públicos dos quais usufruíste na tua vida em Portugal. Não és tu que queres deixar de ser português? Podes sempre renunciar à nacionalidade.

P.J. said...

Tshiiii patrao!
O teu post ja' tem mais comentarios que o meu....
Bem...Sabes perfeitamente que ao dizeres estas coisas nem daqui a 4 encarnacoes arranjas trabalho no Porto, certo ? ;-)
Em relacao a este ponto:
"As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias (não há o culto do xico-espertismo), cívicas, tolerantes"
Eu ja estou em Dublin ha' mais de ano e meio e digo-te os irlandeses sao do mais grunho que pode haver... Mas sao divertidos la' isso sao... Mas tb toda a gente com tao pouco sangue no alcool fica assim... LOLOL... Isto parece a decadencia da queima das fitas so' que durante o ano todo...
Para a area de informatica nem sequer podes fazer comparacoes com Portugal, pois a Irlanda e' um dos 3 maiores exportadores de Software do mundo... Portugal e' um destino de ferias... Tiramos foi o curso errado...
Se um tipo sai d Portugal por razoes laborais entao deve ter a preocupacao de escolher um pais onde haja falta de pessoal com as nossas qualificacoes... Assim torna-se mais facil...
BTW, acho q o teu marido e eu estamos a trabalhar na mesma empresa...

A C said...

@P.J.:
"O teu post ja' tem mais comentarios que o meu...."

Nao fiques triste! Uma grande parte deles sao "Anónimos" a insultar-me ;)

"Eu ja estou em Dublin ha' mais de ano e meio e digo-te os irlandeses sao do mais grunho que pode haver..."
Sim, mas eu nunca disse que ser "bronco" era o mau... ou nao seria eu do norte e nao trocasse eu os "b" pelos "v" e nao dissesse umas "caralhadas" de vez em quando.
Mas sao cívicos e educados sim... e isso ve-se pelos putos principalmente!
E sao tao sérios nesse aspecto que quando tentei explicar-lhes a atitude de "ir para a faixa que se sabe que vai acabar quando há fila de transito para os "burros" da frente da fila nos deixarem entrar e nós ficamos á frente de todos os "burros" de trás" (prática tao comum no nosso belo país), ficaram todos a olhar para mim.
E o único comentário que tive foi: "What's the f*****g point in THAT anyway?" (nem vou traduzir senao nao se nota o "feeling")...

E sim... toleram a diferenca :) Se calhar ajuda terem muitos estrangeiros e pessoas estranhas por cá!

Mas sao uma coisa que os "Tugas" também sao... um pouco "porquitos". Do genero de cuspir para o chao ou deitar lixo para o chao ou atirar lixo pela janela dos carros fora.

E se trabalhas com o meu marido pode ser que a gente se veja um dia desses! ;P

P.J. said...

OK entao quando disseste civicos estavas a referir-te a outros aspectos... Pois eles deixam montes de lixo no metro e no bus sem problema absolutamente nenhum...
Tens de andar pelas ruas de Dublin depois do Natal e do st. Patricks day... Mas olha atentamente para o chao, pois as poc,as de vomito sao incontaveis
:-)

http://tugaemdublin.blogspot.com
(Ja' n actualizo ha' N tempo...pois nao tenho pachorra)

Hugo said...

Anonimo das 9:44am:

Tenho pena que o teu trabalho em Portugal, se é que existiu, nunca tenha sido apreciado.

Como resumir o portugues mesquinho numa frase. Nem eu conseguia dizer melhor.

Partes logo do principio que o portugues nunca trabalha... se eu nao me esforcasse, ia queixar-me do que?

Mas dizes tudo sobre ti e o teu povo quando duvidas que se trabalha duro.

Le de novo o que escreveste... e ve logo onde fica a tua mente tacanha e sem pontaria nenhuma.

Anonymous said...

Não, caro Hugo. No teu post, referes que acabaste o curso, casaste e foste para o Canadá. Daí a afirmação de que não sabia se trabalhaste em Portugal ou não. Se calhar quem é tacanho, mesquinho e assim é o Hugo.

Hugo said...

Errado. Nao me mudei para o Canada assim que terminei o curso. Isso foi uma suposicao completamente infundada que fizeste.

Trabalhei em Portugal sim.

Eu nao critico coisas sem as conhecer. E ja para arranjar um estagio curricular foi outro filme 'a portuguesa.

E claro que sou tacanho e mesquinho. Afinal eu sou um pacovio e sou.

Anonymous said...

Bem...

Carla, tens razão em algumas das coisas que apontas a Portugal e ao povo Português. É verdade e todos sabemos disso.
No entanto, é o nosso país e não é preciso rebaixá-lo quase ao ponto de dizer "É a pior coisa que existe".
Provavelmente não te sentiste realizada por não entrar em medicina mas muitos de nós, tal como tu, sofremos dessa mesma pressão e dessa mesma injustiça.
Agora, cabe a ti saber como lidar com essa situação.
A tua opção foi ir para o estrangeiro. Outros, como eu e muitos, preferiram ficar com a família e sujeitar-se ao fogo do trabalho aqui. Infelizmente não temos pessoas com metodologia de trabalho e com vontade de andar com o país para a frente. Mas uma coisa te digo, não é a emigrarem os melhores profissionais que se vai mudar Portugal.
Eu sou um dos que estou cá a tentar mudar o país e se cada um tentar fazer o mesmo, a coisa é capaz de mudar.

«As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias (não há o culto do xico-espertismo), cívicas, tolerantes»

Deves ter tido realmente uma visão muito negra da nossa sociedade. Provavelmente não tiveste a oportunidade de conhecer a boa cultura, educação e civismo de muitos dos nossos portugueses. Provavalmente também não estarias disposta a procurar esse tipo de pessoas. É natural. Foste vivendo a tua vida segundo determinadas prioridades e agora, mais madura, olhas para outras prioridades. Vês o mundo com outros olhos. Se procurasses aqui, por esse tipo de pessoas, também as encontravas certamente.

«Nunca sofri xenofobia ou descriminação como sofri em Portugal (sentir descriminação de compatriotas dói muito mais que o sentir de estrangeiros).»

Estás aí há muito tempo? Em Portugal deves ter vivido muitos anos mais e esqueceste-te de continuar a reparar nas coisas positivas que temos por cá. Se calhar, foi a esse lado negativo que foste buscar força para ires para o estrangeiro. Mas agora já não precisas desse negativismo. Portugal é um país com uma mentalidade muito pouco aberta mas está a evoluir. Dá tempo ao tempo.

Bem, para não me alongar mais, só te desejo que sejas muito feliz, seja onde for. Mas também te deixo um apelo: não abandones o teu país. Se algum dia tiveres a possibilidade de abrir uma empresa tua, investe cá. Emprega gente competente e proporciona-lhes o mesmo que exiges neste momento àquelas empresas que referiste. É um óptimo começo!

Parabéns pela discussão do tema.

AA

Cris =) said...

Se calhar vou repetir um pouco do que já foi dito aqui, mas tendo a Carla como amiga achei que devia comentar.

Não foi a minha primeira escolha mas devido ao sistema de educação Português fraco e injusto não consegui, por 2 décimas, entrar no curso de Medicina que tanto ansiava. Isto devido essencialmente a médias inflacionadas pelo "pagar" de notas que tanto na moda estava nessa altura (em 2001) em Portugal.

Na minha opinião sincera, se eu estivesse no teu lugar não me sentia tão mal por não ter entrado… porque o mérito da minha média seria meu e não inflacionado. E se querias tanto medicina, porque não tentaste novamente? Conheço casos que tiraram enfermagem e foram fazendo exames para tentar entrar em medicina… e entraram!

Sei que era demasiado nova para tomar uma decisão tão drástica mas tendo vindo de uma família de pessoas maioritariamente inteligentes, cultas e com padrões morais e profissionais muito elevados, sabia exactamente o que era ser ostracizada numa sociedade de pessoas mesquinhas, tacanhas e ignorantes.

As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias (não há o culto do xico-espertismo), cívicas, tolerantes. Nunca sofri xenofobia ou descriminação como sofri em Portugal…


Tu própria é que estás a ser xenófoba em relação a grande parte da nossa sociedade. A maioria dos licenciados da nossa altura (2, 3 anos atrás) é de famílias de classe média em que um dos progenitores não tem um curso superior. O meu caso por exemplo, o meu pai só tem o antigo 5º ano (equivalente ao 9º ano). Isso significa que não somos capazes?! Que não sabemos o que é melhor para nós?! Eu já pensei em ir para fora, mas não com sentimento que tu tens, mas sim pela experiência, conhecimento de novas culturas,…

O meu mérito é reconhecido ao ponto de receber emails de superiores a dizer "Obrigado pelo trabalho bem feito".

Fica a saber, que no emprego onde me encontro (naquele que tu disseste que não contratavam mulheres) também se recebe mails desses… Ou muito me engano, ou para a semana virá outro.


Sinceramente Carla, acho que estás demasiado radical… e não a ser bruta a dizer as coisas. Não digo que as coisas andem bem cá em Portugal por que não andam, mas se todas as pessoas pensarem como tu e agirem como tu, aí é que as coisas não melhoram.

Sempre te achaste uma pessoa antisocial… eu gostava de saber como, sendo tu antisocial, podes julgar as pessoas desta maneira: tacanhas, incultas, etc!, sem te relacionares minimamente com elas! Acho que estás a ser extremamente arrogante e penso, que nossa profissão e com as capacidades que tens, faltou-te dar tempo ao tempo, procurar melhor… não precisava de ser na zona norte…

Tenho pena que sintas tudo isso pelo o meu país porque acho que tinhas capacidade para tu própria fazeres a diferença. Mas é mais fácil ir para um sítio onde outras pessoas já o fizeram...


Aos que acham que isto é dor de cotovelo aviso já que não choramingei nem comprei notas! Orgulho-me da minha média… razoável! Alcançada por mim! E sim, não vou para fora porque tenho receio de não me adaptar e gosto da minha segurança cá. Venha a primeira pessoa sem receios na vida e atire a primeira pedra.


Resta-me desejar-te boa sorte. Por que bem já estás!


Bjs

Cris =) said...

Só um acréscimo aquilo que disse no post anterior, não só para a Carla mas para todos os que apoiam os comentários dela acerca dos Portugueses... Eu estive em Bristol há 1 ano e meio durante uma semana. Tive a oportunidade de conhecer algumas pessoas (não foi uma ou duas, foram mais) portuguesas que estão lá a trabalhar e/ou a fazer o doutoramento. Nunca os ouvi dizer mal do seu país. O mesmo se aplica aos polacos que lá conheci também.

Resolvi portanto dar uma vista de olhos aos post anteriores para verificar quais eram as tendências. Apesar de alguns serem mais críticos (mas nunca da maneira como a Carla o fez), ainda vi alguns a dizerem que têm saudades e que querem voltar.

Deixo aqui as palavras do Pedro (Eng.Informático@Haia-Holanda), que penso que dizem tudo:

As saudades da nossa terra sao muitas e penso que nunca como agora dou tanto valor ao nosso Portugal. Em muitas coisas nao ficamos atras de muitos paises e infelizmente sinto que existe alguma mentalidade negativista que teima em comparar o nosso cantinho apenas naquilo que de nao tao bom temos. Neste momento tenho a certeza que desejo regressar a Portugal. Gosto disto, da vida da cidade, da minha vida, do ritmo, da novidade mas quero voltar as minhas raizes, 'a minha terra. Talvez regresse e me desilusa. Pode acontecer, mas se esse dia acontecer e se ele chegar vou tentando espalhar por ca o orgulho que tenho em ser portugues e aquilo em que somos bons.

Nuno said...

Tirei o mesmo curso que C e C e conheço-os há muitos anos. Sei exactamente o que a Carla pensa, o que queria dizer e o que preferiu calar. É verdade o que diz das médias compradas, das notas injustas e da discriminação para quem quer estudar além do mínimo. Conheço exemplos de todos esses casos. Considero ridículo pedirem nomes como no comentário anónimo da Raquel de dia 19, é impossível não conhecer casos desses e só não vê quem não quer.

C e C são pessoas fora de série e duas das grandes cabeças que o país perdeu. Se quanto a ela nunca tive dúvidas que ia sair, quanto a ele inicialmente não pensei que fosse. Ao unirem os seus destinos alguém teria de ceder. Arriscaram e deixaram país, família, amigos, a vida que tinham. É uma grande mudança, e convém pensar muito antes de ir. Quem perdeu foi quem ficou que raramente os vê. Eles estão bem e gostam do que fazem. A situação aqui é má até para as tecnologias - veja-se o exemplo da Quimonda - lá é excelente, li num destes comentários que a Irlanda é o terceiro exportador mundial. Cá era explorada e espezinhada, lá o trabalho é feito com prazos realistas, no horário, e consegue reconhecimento.
Conheço muitos dos nossos emigrantes de primeira e segunda geração. Dos que estão fora o único lamento é de saudade, aquilo que os identifica como portugueses.

Trabalho no estrangeiro várias vezes por ano e falo com estrangeiros semanalmente. Não só dos que estão quietos no seu país, mas dos que como vocês percorrem o globo em busca de um lugar melhor. Admito que isso me mantém com os olhos abertos para a realidade lá fora e a equacionar a hipótese de sair por um ano para arejar.Tenho mais amigos portugueses do que estrangeiros porque é o que a distância permite. Há excelentes pessoas cá e lá. Lá como cá há pessoas tacanhas, mesquinhas, aproveitadoras. Só que quando são os de lá considero anormal e incomoda-me, cá lido com elas porque são a norma.


As pessoas que comentam neste blog ou estão no estrangeiro ou pensam nisso, não adianta negar. Também fazem parte de uma minoria que usa tecnologias de comunicação e teoricamente é informada, mas a maioria do país não é assim. Portugal não está bem e só há três caminhos a seguir:
-O fácil é fugir e virar costas. Ir para o estrangeiro e esquecer a pátria-mãe. São a maioria dos exemplo que conheço.
-O difícil, diria mesmo impossível, é todos juntos aqui dentro fazermos algo para corrigir a situação.
-O recomendado é sairmos, vermos lá fora como se faz bem as coisas, e voltar para criar novas empresas, com funcionamento civilizado. No início pode ser difícil vencer contra a mentalidade vigente da cunha, mas se há uma altura para isso é agora. É necessário um novo movimento de estrangeirados. A geração Erasmus é a mais capaz de ignorar barreiras e trazer uma nova mentalidade para este canto retrógrado.

Saiam, mas voltem. Em 2009, 2010, 2020 se for preciso. Não encontrem lá fora o vosso lugar, façam-no existir aqui.



Aos Cs desejo toda a sorte do mundo. Mesmo que não precisem merecem-na.

MimProprio said...

Gostei do "post" da Carla. Pouco "politicamente correcto" e com muito realismo,o que é sempre de saudar.

Generalizações à parte, pois bons e maus individuos existem em todo o lado quer em Portugal quer na Irlanda.

Portugal é efectivamente uma país que tende a apostar na "desqualificação", e o que me espanta é existirem pessoas que achem isso uma virtude. Que quase considerem uma aberração referir os planos de tirar um "mestrado" ou "doutoramento" quando se candidata a um emprego.


Parabéns Carla!

Anonymous said...

Nuno,
Eu não conheço niguém que tenha entrado num curso universitário sem ser por mérito próprio! nem em medicina nem em qualquer outro.

se calhar sou só eu.... mas impossível não é!
não me chames mentirosa!

Raqueljavascript:void(0)

Anonymous said...

Desculpem, mas... pátria-mãe??!? Não, essa não, mexe-me com os nervos...

Marta@Lux

Anonymous said...

As pessoas a quem a vida corre mal têm sempre tendência para culpar o sistema e os outros... mas quando as coisas começam a correr sempre mal, deve-se parar e pensar se o problema não está em si mesmo.
1. Não entrou para Medicina porque não teve nota... Eu entrei para Medicina tal como colegas da minha turma pelo nosso esforço porque nenhum tinha cunhas... e vi muitos filhinhos de médicos ficarem de fora porque, apesar de tudo, o nosso sistema é muito justo. E na escolha da especialidade tb vi muitos ficarem de fora apesar das cunhas, porque o sistema ainda vai sendo imune a isso e será sempre enquanto mantiver as notas e exames como forma de acesso.
2. Dizia que queria fazer mestrado e não lhe davam emprego... não podemos esperar que uma sociedade evolua em função dos nossos valores. Em Portugal infelizmente não se valoriza ainda o mestrado e o doutoramento, ainda estamos na fase do canudo apenas... e nenhum patrão está disponível para pagar estudos aos empregados... até porque muitos desses mestrados são uma treta!!
3. Não tem muitos amigos, são todos tacanhos e mesquinhos, só você e a sua familia é que são bons... mais uma vez deveria pensar por que é que tem tão poucos amigos... será problema deles ou seu? Acredite que a sua arrogancia é muito pior que a tacanhez dos outros.

E se é assim tão inteligente e tem familia tão culta, deveriam todos conhecer a realidade portuguesa e perceber que o primeiro sinal de inteligencia é saber adaptar-se e só depois então tentar mudar algo... atirar-se de cabeça contra tudo e contra todos é sinal de grande imaturidade, intolerancia, falta de experiencia de vida... percebo que não tivesse esses atributos naquela altura mas deveria ter sido educada e alertada pela familia supostamente tão culta e fantastica que parece ter.
Ana Sousa

Anonymous said...

Quem entrou para Medicina só pode ter sido por cunha...e estas afirmações são feitas por alguém com um curso superior. É muito triste existirem pessoas injustiçadas, mas pior é virem para aqui desdenhar de outrem só porque não conseguiram sozinhas...boa sorte Carla e que não te sintas injustiçada na Irlanda!

Decas said...
This comment has been removed by the author.
Decas said...

Sinceramente não consegui perceber este último comentário. Mas se foi a dizer que toda a gente entra por cunha em medicina, acho que foi uma opinião muito infeliz. Todos sabemos qua há muito boa gente a entrar por mérito próprio e muito boa gente que é injustiçada e que continua ano a ano a tentar ingressar nesse curso.

Nem toda a gente entra por cunha numa faculdade.
Todos sabemos que essas situações existem, em todo o lado, em todos os cursos e em qualquer parte do mundo.

Não faço ideia a quantas entrevistas de trabalho é que cada um foi, mas posso garantir que no meu caso particular só numa é que olharam para as minhas notas da faculdade e o comentário foi: "Umas notas descansadas!" (para uma média de 12/13).
As empresas por cá, na minha opinião, procuram cada vez mais a o profissionalismo tornando-se também mais exigentes. Mas tudo isto leva o seu tempo e faz parte do crescimento e amadurecimento do país.

Infelizmente noto nas palavras de todas as pessoas que saíram do nosso país um tom de superioridade. Em Portugal dá-se demasiado valor ao estrangeiro. Estar lá fora parece um estado de glória e, quando se chega cá, parece que têm um tapete vermelho à saída do jacto, ou do avião, ou do carro, ou do comboio, ou da camioneta. Lá fora é extraordinariamente melhor? Partilha connosco essa experiência e isso é que pelo menos eu vou querer saber... Vale a pena arriscar?
Um ordenado aí permite-te fazer uma vida muito mais desafogada? Ou é por 100€ ou 200€ ou 300€ mais?

Eu também fui colega da Carla e sinceramente não me surpreende que ela tenha este tipo de ideias sobre o nosso país. Mas Carla, aqui, como em qualquer outra parte do mundo as coisas não são brilhantes nem perfeitas... Pode haver mais uma porta aqui, outra acolá, outra acoli. Mas acaba tudo no mesmo. Tudo depende das pessoas com quem te vais relacionar. Não vais dizer que aí as pessoas são todas educadas e bem formadas...

Como já li algures neste blog, em Portugal não se dá valor ao Mestrado nem ao Doutoramento. Eu próprio, posso ser sincero e digo que, para mim, um mestrado ou um doutoramento não me serviria de nada. Quem sabe se, depois de estabilizar numa empresa, não quererei optar por me especializar numa determinada área, talvez. Agora não!

Espero que vocês um dia possam voltar, muito bem sucedidos, e que tragam boas iniciativas para cá para poderem fazer evoluir o nosso país. E isso sim, é dar valor às nossas raízes.

Aproveito também para dizer a quem dá a sua opinião que um bocadinho de educação e respeito pela opinião dos outros cai sempre bem.

Cumprimentos,
André Almeida

Anonymous said...

Olá,
Li o teu post e gostei muito do que li. Até pq penso em ir para Dublin brevemente para trabalhar na tua area. Lamentavelmente parece que quando uma pessoa é honesta e diz aquilo que pensa, é trucidada por pessoas com sentimentos nacionalistas que conseguem passar por cima de todos os outros. Respeito a minha identidade de português, adoro o meu país e cultura. Vejo por colegas meus, espanhois, mexicanos, colombianos, turcos, todos dizem bem de Portugal. No entanto também dizem mal. E eu proprio também. Reconheço que a cultura do "xico-espertismo" é orgulhosamente nossa e que ao abordares esse tema podes ferir algumas susceptibilidades. Também a experiencia que nos vivemos no estrangeiro, só depende de nós e da nossa forma de a viver. Para abreviar, adorei ter trabalhado em Angola, embora em periodo de guerra aceitando de igual forma o bom e o mau. Uma coisa é certa, se tivesse um familiar bem posicionado e que me arranjasse um tachinho não pensaria em sair daqui. Cumprimentos e tudo e a correr pelo melhor,
Pedro

Anonymous said...

Caros, eu nao sou portugues sou angolano. Tive a oportunidade de fazer o curso superior em Lisboa...E serei sempre grato ao povo portugues por essa oportunidade. Fico triste quando falam mal de Portugal nem sei como reagir, porque o meu Pais esta ha anos luz do vosso. Tudo o que voces criticam ai, nos temos a dobrar ou a triplicar...conseguem imaginar? Quase tudo ja foi dito sobre o post. Apenas queria dizer-vos que o vosso Portugal nao é assim tao mau. Tem la os seus pontos negros,ok, alias ja todos devem estar carecas de saber. Mas acreditem, por mais que possam criticar o posso portugues, as escolas portuguesas, as cunhas os lambebotismos, e outros ismos , existem paises piores. E apesar de tudo ainda vao se fazendo algumas coisitas. Por outro lado, a mudança nao vira de fora. Se nao forem os jovens portugueses a tomar redias daquilo, quem o fara? Sei que nao serve de consolo a ideia de existirem paises piores porque o que interessa é a comparaçao com quem esta melhor e nao com "mortos-vivos", mas o facto é que a constante fuga de cerebros (sem retorno) nao ajudara a mudar Portugal...Penso que é positivo a saida para outros mundos a busca de conhecimento e experiencia...mas o nao retorno constitue um factor de atraso para o Pais....De resto, desejo a todos as melhores felicidades e que o vosso Portugal (que ja sinto como se fosse meu) cresça e se desenvolva ainda mais.

JoaoK

ssartem said...

Bom, eu acho que tu tens cabeça e escreveste um post interessante.

Percebo perfeitamente a tua questão com os mestrados e as entrevistas de emprego. Eu passei pelo mesmo e continuo a achar que devemos ser colocar na mesa o que pretendemos para o nosso futuro: assim toda a gente sabe com o que contar.

Eu vivo há praticamente mais de seis anos fora de Portugal. Vivi na Suécia, em Espanha e nos Estados Unidos.

Em todos estes países, ouvi das pessoas o reconhecimento do trabalho dos portugueses, considerados como "os melhores profissionais" (trabalhadores, criativos, dinâmicos e flexíveis).

Não gostei de alguns dos teus parágrafos. Não gostei do "(...) cultas, educadas, ..., etc, etc, etc". Nunca estive no teu país, mas comparados com todas a nacionalidades que fui encontrando pelo caminho os portugueses não ficam atrás de ninguém nestas características.

Preocupa-me então a seguinte questão: quem conheces tu em Portugal? Porque pelo que eu percebi, em mais de 20 anos em que residiste no país, fizeste "muito poucos amigos". Estranho.

Não és o primeiro caso que conheço nestas condições. A uma pessoa precisa de emigrar porque em 20 anos não faz amigos, resta dizer: Ainda bem que mudaste de país, viver é difícil.