25.7.09

Bruno Manso, licenciado em engenharia biotecnológica, Liverpool.

Oi. Um amigo apontou-me a direcção deste espaço, desafiando-me a mim e mais algum do pessoal que também está cá por fora a escrever qualquer coisinha.

Bem, no meu caso a coisa passou-se um bocado diferente do que na maior parte do que li até agora. Quando comecei o curso (na Universidade do Algarve) nunca tinha realmente pensado em sair de Portugal. Quanto muito, tinha considerado mudar-me de Faro para Lisboa e lá fazer investigação em genética ou algo parecido. No entanto, algures durante a licenciatura, apercebi-me de que o meio é ideal para sair e conhecer outros sítios e outras culturas. E porque não? De modo geral, um projecto de investigação dura qualquer coisa entre um e três anos e, depois disso um gajo é livre para ir para outro lado e conhecer outros países, novas gentes. E se por acaso me fartasse, haveria sempre a possibilidade de regressar. Parecia-me uma maneira bem interessante de viver os próximos anos. Resolvi estagiar, durante um programa Erasmus, na Universidade de Leicester, no Reino Unido, para fazer currículo e depois de acabar o raio da licenciatura concorri a tudo quanto era de projecto fora de Portugal. Ainda andei a penar, durante qualquer coisa como um ano, mas em Setembro de 2007, quando tinha arranjado um emprego uma pequena companhia de análise de águas a fazer controle de qualidade, recebi a resposta a uma candidatura que tinha feito dois meses antes, perguntando se ainda estava interessado. Preparei a mala e desde então que estou em Liverpool, a trabalhar em virologia.

A verdade é que um gajo é sempre um bocado ingénuo quando pensa nisto e faz planos, e tudo parece cor de rosa. De vez em quando lá bate a saudade de casa, da mini e do tremoço e isto tudo parece um bocado estranho. Mas, e se calhar tive sorte nisso, o grupo de trabalho com que me deparei aqui é bem fixe e há sempre portugueses em todo lado, pelo que um gajo fala um bocadinho tuguês, faz um bacalhauzinho ou bebe um moscatel (contrabando!!), e a coisa fica um bocadinho melhor nesses momentos. Neste momento acho que realmente fiz a escolha certa, e sei que quando acabar este projecto, algures para 2011, vou concorrer a outra coisa, noutro lado. Tenho estado a pensar na Suécia. Ou os Estados Unidos. Qualquer coisa assim.

Daqui a 7 ou 8 anos, quando me fartar de andar a correr de um lado para o outro e conhecer meio mundo (ou talvez só a Europa), a ideia é voltar para casa. A ver.

Isto tenho a dizer. Depois de estar cá um ano e mais que meio, aquela ideia que se tem de Portugal, de como somos pequeninos e capazes apenas de conversa de café, de criticar sem fazer nada, de como somos atrasados e estamos na cauda da Europa em tudo desaparece. Por completo. Acho que tudo isso é mais condição humana que tuga.

5 comments:

Anonymous said...

Acredita que depois desses tempo todo que falas, os tais 7/8 anos, vai-te custar voltar, ou melhor, depois de voltares vai-te custar qualquer coisa como permanceres cá, não é por sermos isto ou aquilo, é por nos habituarmos à condição de semi-nómadas. Acabei também de regressar de uma segunda "emigração", primeiro Holanda, agora UK, e tal como tu, não conheço meio mundo, só mesmo a Europa, mas estou a ter uma crise de incompatibilidade com o meu país, e não é por ele ser mau, ou pior, é pela condição que se criou, de não pertença, de não-amarras. Desejo-te o melhor do mundo. Que no fundo é muito do que aqui no mind this gap e poucos conseguem-se aperceber disso. Desejo-te o melhor do mundo, ou só da Europa que já é muito.

Bruno said...

Obrigado por partilhares a tua experiência. Para ser sincero, não pensei muito nesse aspecto. Acho que o ignorei um bocado de propósito, no acto de não pensar muito para não pensar duas vezes e não me ir embora.

Espero que as coisas te corram melhor na adaptação ao estado sedentário.

Anonymous said...

Caro anónimo das 6:06 PM,

Também partilho dessa sensação de incompatibilidade. Cada vez que regresso a Portugal (para umas mais ou menos extensas férias) indentifico-me menos com o meu país. Não é que esteja arrependido de ter saído, mas não é só a familia e amigos que se deixa para trás, é todo um modo de vida. E, claro, aquele passado que nós idealizamos deixa de existir.

Não quero parecer taciturno, nem desencorajador, mas é algo a ter em vista para quem quer embarcar para fora.

Breaking the Waves said...

Touche...

"Depois de estar cá um ano e mais que meio, aquela ideia que se tem de Portugal, de como somos pequeninos e capazes apenas de conversa de café, de criticar sem fazer nada, de como somos atrasados e estamos na cauda da Europa em tudo desaparece. Por completo. Acho que tudo isso é mais condição humana que tuga."

Aqui dizes tudo e tao bem... Cheguei ha 9 meses e e esse o sentimento. Apesar de ter chegado a esta conclusao nao me imagino a voltar a Portugal, aqui as oportunidades sao infinitas apesar da "condicao humana".

Anonymous said...

Olá! Deparei me com este blog E axei interessante.
Olha deixo te o meu email, iris27@portugalmail.pt. Estou a pensar estagiar no Reino Unido mas queria falr com alguém que já tivesse essa experiÊncia. Pf se puderes manda email.
Sandra