23.6.09

Sandra Ramalho, Engenheira Civil. Alicante, Espanha.
Olá
Li alguns posts e percebi que afinal tudo o que senti até agora, provavelmente, estava a passar em simultâneo com outras pessoas noutra parte do mundo.
Nasci em Vila do Conde e estudei em Viana do Castelo.
No dia a seguir à apresentação do projecto de final do curso, fui tomar café com a minha irmã, e enquanto esperava por ela abri o jornal de noticias, na secção de classificados, e aí estava: "Engenheiro (a) Civil para trabalhar em Espanha". Corri para casa para fazer o meu currículo e peguei no carro do meu irmão e fui até Famalicão entregar o currículo em mão.
Uma semana depois telefonaram-me para uma entrevista e disseram-me que já estava decidido e que o lugar era meu. Era uma pequena empresa portuguesa e disseram-me também que precisavam de algum tempo para organizar a minha ida. Isto foi em Julho de 2005 e só em Novembro do mesmo ano se decidiram a mandar-me para uma "terreola" perto de Valência.
Bem, a experiência foi tão má que seis meses depois despedi-me! Aquela empresa era um desastre.
Um dos arquitectos das obras que eu dirigia perguntou-me se eu não gostava de estar em Espanha, ou se me ia embora porque nao gostava de trabalhar nessa empresa. Eu respondi que gostava muito de continuar em Espanha, mas não podia continuar naquela empresa. Foi então que ele me deu o nome e a direcção de uma empresa e fez-me prometer que ia entregar o meu currículo. Foi o que fiz. Apresentei-me nas instalações da Ferrovial em Valência e pedi uma entrevista com o responsável dos recursos humanos que depois de meia hora de conversa diz-me: "Sinto muito, mas neste momento não temos nenhum trabalho para ti".
Bem, voltei à terreola onde vivia (a 30 minutos de Valência) com a ideia de fazer a mala e voltar para Portugal nesse mesmo dia. Mas no momento em que mesmo estacionava o carro recebo um telefonema da secretária do Delegado de Valência da Ferrovial Agroman S.A., porque ele queria falar comigo. Voltei para trás, a uma velocidade de cometa. Estavam uns 30 graus, e o meu carro não tinha ar condicionado.Tinha o cabelo pegado à testa, a maquilhagem derretida e conduzia com o pé direito descalço porque inchou com o calor e não cabia no meu sapato de tacão.
Conversei mais de uma hora com o Delegado da Ferrovial. Pediu-me que na segunda-feira seguinte fosse a Madrid para outra entrevista nas instalações da Ferrovial em Madrid. Decidi voltar para Portugal nessa segunda feira e de caminho parei em Madrid, fiz os testes psicotécnicos e segui para Portugal.
Uma semana depois mandaram-me um e-mail a dizer que tinha sido seleccionada para trabalhar em Alicante e que me apresentasse ao trabalho dentro de 3 dias. Foi uma loucura! Outra vez para trás...Enchi o meu Polo com os meus "tarecos" e cá estou eu!
Mas...veio a CRISE!!

5.6.09

Hugo Marinho, Contabilista, Macau

Olá a todos
Em 2004 terminei a licenciatura em Contabilidade e Administração no I..S.C.A.L e começei por trabalhar em Portugal durante uns tempos em empresas desta área.
Certo dia, vejo um anúncio no Expresso Emprego a pedir um Contabilista para Timor Leste e resolvo concorrer, pelo gosto da aventura e do desconhecido, sem grandes esperanças de ser seleccionado.
Para meu espanto, fui eu o escolhido e em Janeiro de 2005 lá rumei a Dili.Escusado será dizer que fui encontrar uma realidade totalmente oposta à que estava habituado, mas que me foi conquistando aos poucos, pelo estilo de vida descontraído e relaxado que ali se praticava.
Razões de diversa ordem fizeram-me voltar a Portugal em Abril de 2006, mas o bichinho de viver noutro país continuou bem vivo. Entretanto voltei a encontrar um novo trabalho em Portugal e por lá continuei durante quase 2 anos, tendo pelo meio feito uma estupenda viagem pela Ásia para matar as saudades daquele continente.
Eis que algures em Novembro de 2007, vejo um anúncio novamente no Expresso Emprego a recrutar um Contabilista para Macau. No meio de 300 candidatos fui o escolhido e no dia 29 de Abril de 2008 aqui cheguei, curioso para saber como seria esta aventura.
A experiência por estas bandas tem sido positiva, embora Macau seja um sítio muito pequeno e por vezes uma pessoa se sinta saturada com as mesmas caras e os mesmos locais. Nada que uma viagem pelos países vizinhos não resolva...
Quanto ao futuro, gostaria de ter uma nova experiência de vida em África antes de voltar a Portugal no sentido de contribuir para o desenvolvimento do nosso país, por vezes tão maltratado neste blogue...
Considero Portugal um óptimo país para se viver e estes anos que fui vivendo no exterior reforçaram o meu orgulho em ser Português.
Para os que estão renitentes em abraçar uma aventura no estrangeiro, aconselho-vos a seguirem em frente, pois acreditem que só terão a ganhar com o conhecimento de novas culturas e estilos de vida.
Se quiserem podem dar uma olhadela em
http://hotelmacau.wordpress.com/

10.5.09

Lénia Fernandes, Conservadora-Restauradora de Fotografia, dos Estados Unidos para a Madeira


Há algum tempo que sigo este blog, e tenho estado à espera de que mais alguém publicasse novos comentários. Fartei-me de esperar, e porque não, decidi que ia eu partilhar um pouco da minha história. Pode ser que tenha algum interesse, ainda que talvez seja muito prematura.
Quando li este blog primeira vez, identifiquei-me logo com o testemunho da Joana Pedroso, que está na mesma área que eu, e acabou por parecer um foco de esperança.
Estive nos últimos 5 anos a tirar o curso em Conservação e Restauro em Portugal, e acabei (wuhu!) no passado mês de Outubro.
Devido a muitas razões, entre as quais o não estar em sintonia com a mentalidade das pessoas mais directamente relacionados com a organização do meu curso, acabei por sempre tentar fazer o possível para me afastar da universidade o mais rápido possível. A mentalidade que prevalece não é propriamente muito cooperativa e positiva, pelo contrário. Não estava interessada em estar num ambiente onde regra geral não interessa educar, interessa fazer o que privilegia o indivíduo. Já quando comecei a ter aulas práticas de restauro quis fazê-lo fora da faculdade, ainda que com pessoas sempre a ela ligadas, mas era um pequeno passo em frente para mim.
O último ano do meu curso é para estágio, o qual os alunos devem "arranjar", mais ainda aqueles que não estão propriamente interessados em pegar numa das áreas de interesse da faculdade, as tais generalistas de que a Joana já falava. No meu caso, quis pegar mais em fotografia. E queria outro ambiente. Contactei várias instituições, ainda pensei em Erasmus, mas acabei por desistir da ideia. As instituições que tinham acordo com a minha Faculdade não pareceram ter interesse em que eu para lá fosse, e isso ia acabar por ser o mesmo que ficar em Portugal.
Falei com pessoas com mais conhecimentos que eu na área de Conservação de Fotografia, abordei outras instituições, e esperei por algo positivo. Por fim fui aceite no num laboratório nos Estados Unidos. Não deixava de ser num ambiente universitário, nem sem ser direccionado para a investigação, mas havia ali mais qualquer coisa de apelativo. Não, não sabia onde me ia meter, em que ambiente, que condições, mas fui à mesma, depois de tratar de imensa burocracia para obter o visto.
E fui. A diferença ao nível de ambiente era completamente abismal. Primeiro que tudo, trabalhei com pessoas que são referências na área, que tratava pelo primeiro nome, ao contrário da idiotice que prevalece em Portugal do "senhor doutor". Muitos não merecem sequer o título mas exigem-no. De facto o profissionalismo prevalece, não o fingimento.
É muito cómico pensar que um dia tive uma dúvida num livro que estava a ler, e acabei por ir perguntar ao autor cara a cara, com alguma vergonha, pensando que talvez fosse eu que estivesse a interpretar mal o que lá estava escrito. A inibição foi completamente desnecessária, ou ele não teria dito: "De facto enganei-me aí. Vamos procurar a referência certa". Se fazia algum trabalho e pedia opinião, era bem visto e elogiada de imediato. Para mim isso não era comum.
Quando é que este tipo de humildade apareceria num contexto académico em Portugal? Talvez eu tenha muito más referências, mas penso que não será muito comum.
Cumpri e desfrutei do meu trabalho, aprendendo muito mais do que alguma vez antecipava. Percebi algo que já devia ser óbvio: promovendo a educação das pessoas é que se consegue fomentar o interesse na cultura. Conheci tanta coisa que pensei que só veria nos filmes, muitas que adoraria rever. Criei laços com imensas pessoas, não fosse o ambiente familiar que havia no laboratório. Aperfeiçoei o meu Inglês, e fiquei muito orgulhosa de para algumas pessoas eu até já ter sotaque no Midwest.
Também passei imenso tempo sozinha, dava por mim a querer falar em Português mas não tinha com quem o fazer (a não ser quando usando o Skype). Cheguei a expor-me a -16ºC (que saudades de sentir o calor do sol...). Passei horas sem fim em transportes públicos (que deixam muito a desejar na frequência). Vi que por muito que a América queira ser um local de igualdade, o racismo e a divisão de classes existe. O sistema de saúde acaba por parecer primário, quando nem quem tem seguro está livre de pagar rios de dinheiro para cuidar de si. Ao nível de educação, há mais prestígio em entrar numa universidade privada do que numa pública, e paga-se (e muito) para isso, o que exclui automaticamente aqueles com menos posses. Sim, o sentimento de competição e consumismo são impressionantes.
No fim, quando voltei, em Maio de 2008, nunca pensei que me custasse tanto. As pessoas significavam mais para mim do que aquilo que eu quis admitir. Tinha agido de modo independente por algum tempo, a tomar as decisões sobre a minha vida, e não queria regredir. Voltar a Portugal ia pôr termo a isso. E pôr os pés na faculdade foi um autêntico massacre. Voltei ao ambiente de que tinha fugido, mas tinha de ser. Como disse, acabei o curso, e é isso que interessa.
Não é novidade nenhuma que as oportunidades de emprego estão a diminuir. Farto-me de pensar que ter acabado o curso agora foi uma altura péssima, mas melhor do que a alternativa de continuar a pagar propinas sem destino. Já não é fácil arranjar emprego quando se trata de trabalhar com cultura, agora ainda pior. Mas claro, não sou de todo a única nesta situação. O que não deve faltar são pessoas a contar os tostões todos, ou simplesmente à procura deles. Questiono-me se tem interesse ficar num local onde não parece haver interesse no que posso fazer.
Provavelmente por ter tido uma experiência positiva acho que o meu futuro não está em ficar, mas sim em partir; acho que é o denominador comum de quem saiu e sentiu que valeu a pena correr riscos. Quando fazemos isso tornamo-nos mais competitivos, e daí mais produtivos, o que justifica a fama dos portugueses que trabalham no estrangeiro em oposição aos que se mantêm no país.
Tenho feito por arranjar oportunidades, agora falta-me aceitação. Veremos. Com sorte daqui a uns tempos tenho algo novo para escrever, numa nova perspectiva.
O que interessa é manter a força. Vai chegar a minha vez.

8.3.09

Nuno Pires Costa, Eng. Eletrotecnica (Telecomunicacoes), Praga

Com 4 ou 5 anos de experiência na área, na PT trabalhava num segmento muito especifico.

A progressao era bloqueada pela estrutura em si. Dinossauros tecnológicamente desactualizados que me diziam que “a idade ainda e’ um posto”.
De uma equipa de 12 pessoas, as 3 tecnicamente melhor preparadas tinhamos entre 25 e 35 anos.
O meu salario bruto era de aproximadamente 1000 euros (Agosto 2008).
Sempre acompanhei a dinamica internacional do mercado em que trabalho, e lia regularmente publicacoes online, opinando quando achava que assim devia fazer. Em Maio de 2008 recebi um convite de um dos principias fabricantes de equipamentos da area, para ir para Baltimore. Oferta: 3.000 USD.
Recusei a oferta, pois a pesar de ser um aumento para mais do dobro, nao queria ir para Baltimore. A 30 mins de WashingtonDC, e 2 horas de NY, pareceu-me um suburbio feito cidade. Seria como ir para Torres Vedras… a meia hora de Lisboa, e a duas do Porto.
Continuei na minha rotina da PT.
No ultimo dia de Julho de 2008, depois de deixar o “bichinho” roer-me uns meses, achei que deveria sair. Nao so da PT, mas do pais.
Ainda sem nada a nao ser a decisao e a motivacao, anunciei na PT a minha saida.
Na PT tentaram “renegocviar” a minha situacao, mas a oferta era ridicula, comparada com os numeros da Europa.
Após 3 semanas, uma centena de CVs enviados, e algumas centenas de anúncios lidos, tinha 6 propostas reais.
1 para Dublin, 3 para Londres, 2 para Praga.
Dublin nao me atraiu muito. Londres e’ cidade que visito regolarmente ha’ algum tempo, e nao me apetecia specialmente ir trabalhar para la, pois sabia quei a morar num suburbio qualquer.
Dia 2 de Setembro escolhi Praga e assinei para um ordenado quase quatro vezes maior que o da PT.
Dia 25 de Setembro comecei, e sem ter feito 5 meses de casa, tive o meu primeiro aumento. 10%. Nada mau, para os tempos de crise global em que vivemos.
Foi a decisao ideal.
Estou a 150 euros de Lisboa, em 3 horas de voo, logo tenho amigos a visitarem-me regularmente, e vou a Lisboa passar um fim-de-semana quando entendo.
A comunidade portuguesa local esta dividida entre os que ca trabalham, e os que ca estudam.
Tudo boa gente.
Foi a melhor decisao que tomei nos ultimos tempo.
Estou muito contente e acho que vim na altura ideal da carreira e da vida.
Com 30 anos e 5 anos de telecomunicacoes, represento uma mais-valia real para a minha entidade empregadora, e tenho a maturidade que nao tinha quando deixei a faculdade.
Não me parece que volte. Alem do resto, sinto-me reconhecido, finalmente.

Para esclarecimentos ou informacoes: nuno.pires.costa@sapo.pt

8.2.09

Carla Neves, Engenheira biotecnológica, Haia, Holanda.

A minha saída de Portugal começou primeiro pelo desejo de estagiar por 6 meses num ambiente novo, segundo por encontrar neste novo país gente simpática, com excelente espírito de trabalho e camaradagem e consolidou-se numa mudança definitiva para a Holanda por causa do namorado holandês que, para além de ser um companheiro excelente e incomparável, ainda se esforça por tentar falar português com a minha mãe o que a faz muito feliz mesmo tendo a filha longe. A história que me trouxe à Holanda: pais de realização pessoal e profissional...já que cada uma destas vertentes da vida é tão importante como a outra.

No últimos anos dos meus estudos (Engenharia biotecnológica na Universidade do Algarve), quando se começa a pensar no que virá mais para a frente, comecei a planear/ desejar fazer o meu estágio no estrangeiro. Se me calhasse a sorte de receber a famosa bolsa Erasmus, de que se ouvia falar cada vez mais e que se tornou muito popular, a possibilidade do estágio no estrangeiro seria mais facilitada porque a pressão económica sairia um pouco dos ombros dos meus pais. Sem saber ainda para onde ir, ou se iria de todo, comecei por fazer um curso de Castelhano porque na altura a Espanha parecia-me um dos possíveis países de uma lista incompleta e bastante dinâmica de escolhas.

No ano em que me pude candidatar (embora ainda com o projecto final de curso para fazer e que viria a ser concluído depois do meu estágio) candidatei-me à bolsa de Erasmus (eu e mais umas 20 pessoas) e não fui imediatamente contemplada mas após uma redistribuição do dinheiro disponível para as bolsas (que não tinha sido aplicado nas outras faculdades por falta de candidatos) acabei por receber cerca de 1000 euros que chegou exactamente para pagar o alojamento durante os 6 meses e meio do meu estágio na Holanda, Universidade de Wageningen, no Departamento de engenharia alimentar e de bioprocessos (sendo as viagens, alimentação e afins patrocinado pelos pais).

A escolha do local foi primeiro uma escolha pelo país (os mais interessantes devido à área de investigação eram na altura a Bélgica e a Holanda) mas alertada por um dos professores que, na Bélgica, a partir do momento que percebessem que eu sabia um pouco de francês nunca mais falariam em inglês escolhi então a Holanda.

Acabado o estágio voltei para Portugal para me enterrar na biblioteca da Universidade com as minhas colegas até acabar o projecto final de curso. A conclusão da minha licenciatura coincidiu também com o fim do curso do meu namorado que entretanto estagiou nos EUA.

Era agora altura de escolher onde arranjar poiso, juntos, e de maneira a que ambos pudessemos trabalhar. A 1ª hipótese de ficar nos EUA, onde lhe ofereceram um doutoramento, foi descartada, porque eu não tinha nada em vista e não é fácil arranjar emprego sem ter visto de permanência. A 2ª hipótese de ficar em Portugal, já que ele também recebeu a proposta para um doutoramento no IST por parte de um professor português que estava de sabática nos EUA, também foi descartada porque arranjava ele trabalho e ficava eu no desemprego. A 3ª hipótese de ficar na Holanda pareceu então a mais prudente já que o meu CV apresentava alguma mais valia para concorrer a empregos cá. Mudei-em então, em 2006, de bagagens e...canudo.

Passado 2 meses à procura de emprego e quase a dar em maluca por não ter nada para fazer aceitei um emprego fora da minha área (suporte de vendas) que me valeu uma valente lesão no pulso mas alguma genica em contactar pessoas e ganhar à vontade em entrevistas. Acabei por descobrir que quase tudo e todos que têm a ver com Biotecnologia na Holanda passaram por Wageningen e isso acabou por jogar a meu favor. Entretanto arranjei emprego na minha área onde rapidamente progredi, quer em função quer em salário: após um ano como assistente de investigação passei a engenheira (junior) de bioprocessos e, 6 meses mais tarde, a engenheira de bioprocessos. E ele está agora prestes a finalizar o doutoramento cá (à 3ª foi de vez).

Sinto que ainda tenho muito que aprender mas que me encontro no ambiente ideal para isso e ao mesmo tempo sinto-me valorizada ao contribuir para a resolução dos problemas que se nos deparam ao longo dos projectos em que estou envolvida. Dá-me também algum gosto pessoal saber que depois de mim contratam outros portugueses (já que, verdade seja dita, se eu não tivesse um desempenho que agrada á gerência isso não aconteceria).

Só posso comparar a minha experiência aos meus amigos mais próximos que ficaram em Portugal, onde tiveram de largar mão da Biotecnologia ou então são tratados no emprego como se tivessem de dizer obrigado por poderem trabalhar e são mal pagos, e à outra parte (MAIORIA) que emigrou para fazer doutoramentos (4 no reino Unido, 1 na Alemanha, 3 na Holanda) ou para trabalharem em empresas: existem mais empresas de Biotecnologia na Holanda mas menos estudantes do que em Portugal e as bolsas de investigação cá são mais que suficientes para se ter uma vida desafogada por isso pergunto-me quando é que esta situação vai ser corrigida em Portugal (quer pelo incentivo á criação de empresas de perfil científico/ tecnológico ou pelo menos por um planear mais inteligente dos cursos que abrem todos os anos e que só servem para o desemprego ou para a fuga de cérebros para o estrangeiro).

Estar longe da família é compensado com os telefonemas e as conversas no messenger, com a minha mãe a tentar aprender inglês aos 65 anos para poder falar com o meu namorado e com as viagens de avião que compradas com alguma antecedência não pesam na carteira (ou com os pais a virem de Portugal de carro de propósito para trazerem o enxoval!). Estar longe dos amigos cada vez se aplica menos: porque muitos caem por aqui como moscas no mel, e os outros encontro-os nos jantares anuais quando todo o grupo de emigrados chega a Portugal para a férias de Natal.

O curso de espanhol foi muito divertido, mas já esqueci tudo o que aprendi e lembro-me apenas o que sabia de ver televisão espanhola nas férias de verão. O foco passou agora para os cursos de holandês que vou tendo (hobbie caro) e que dão frutos devagarinho (à velocidade da lesma) mas que espero que se consolidem com o tempo e a prática. Com o doutoramento dele finalizado pensamos passar um ou dois anos noutro país para ambos podermos ter a experiência de viver e trabalhar no estrangeiro (EUA ou Suiça, se a crise financeira não atrapalhar os planos) mas definitivamente voltaremos à Holanda. Entretanto sonhos de voltar a Portugal...talvez na idade de reforma para apanhar sol no Algarve!

31.1.09

Sofia Santos, Neurocientista e Psicóloga, Alemanha

O meu testemunho vai deixar muita informação de fora, porque senão seria um testamento e não um testemunho. A minha decisão de sair do país prendeu-se mais na busca de conhecimento. Talvez tenha tido azar, mas considero os cursos de psicologia em Portugal muito atrasados, agarrados literalmente a bases do inicio do século passado, ou limitados em termos de conhecimentos científicos, e durante o meu curso senti-me frequentemente "revoltada" com o que nos era incutido. Nunca fui carneiro de seguir manadas e desconfiava seriamente (a internet ainda estava no inicio) do que nos era transmitido em grande parte das aulas. Discutia abertamente com os colegas sobre isso, mas a maioria "comia e calava" que é como quem diz não questionava. Quando acabei o curso, sem cunhas a busca de emprego foi muito complicada (muito), mas não queria por nada desistir de exercer o que tinha estudado. Durante algum tempo trabalhei fora da área e estagiei voluntariamente na minha área para construir currículo. Admito que tenho persistência, algo que nem toda a gente tem, nem tem que ter, é apenas uma característica. Entrei num mestrado, fiz estágio voluntário desse mestrado e tive a sorte da abertura de concurso para a instituição onde estava a estagiar. Entre muitos candidatos, fiquei. Só foram considerados candidatos que tivessem estagiado na instituição, informação que devia ser mais clara, na minha opinião, e poupar o tempo (e a esperança) a muitas pessoas. Uma questão de respeito. Por ser uma instituição do estado tinha um emprego, e não o trabalho pago a recibos verdes (o cancro de Portugal). Iniciei mais cursos de formação, abri consultório. Enfim, tinha a carreira em ascensão, mas isto depois de vários anos de muito, muito esforço e, quero acrescentar, muita angustia. Presenciei muita coisa injusta em Portugal, muita cunha, muitas situacoes que, se contadas aqui na Alemanha as pessoas têm dificuldade em acreditar. Desde colegas saidinhos do curso e, passando à frente de pessoas que estagiavam voluntariamente durante três anos (!!!), obtinham posicoes imediatas através de concursos (do estado) abertos de propósito para os colocar (e não, não foi pelas notas) até pessoas que conheço com média insuficiente que conseguiram entrar na faculdade empurrando para fora os últimos "oficialmente" colocados. Tudo isto se passava em Portugal antes de eu sair, não tenho razoes para acreditar que tenha mudado.

Queria estudar fora e esse pensamento continuava na minha cabeça, cheguei a ir a Inglaterra a uma entrevista. Na altura fiquei impressionada com o que vi. As instalacoes psiquiátricas (e o tratamento das pessoas com doenças do foro psíquico) eram anos de luz das nossas. Resolvi informar-me de bolsas de estudo, andei de embaixada em embaixada (na altura eram poucas as informacoes na net) e acabei por obter informacoes de mestrados em inglês na Alemanha. Candidatei-me e ao mesmo tempo candidatei-me a uma bolsa alemã (DAAD). Pensei "se conseguir é sinal para ir". Consegui e pensei "bolas, agora tenho mesmo que ir" ;-) Lembro-me perfeitamente do meu pai me dizer "então deixa cá ver se entendo, vais despedir-te do teu emprego, largar o consultório, para ires estudar cérebros num país em que não falas a língua com uma bolsa dum ano, é isso?". errr...sim, era isso. Ninguém que eu conheça teria feito o que fiz. Mas eu pensei "ou vou agora ou nunca mais vou", porque entretanto criam-se responsabilidades, e as oportunidades para estudar perdem o seu timing.

O curso no Max-Planck na Alemanha foi talvez o período mais difícil da minha vida. A exigência e a competição não têm paralelo a nada que conheça em Portugal. Durante dois anos não se respira, não se tem actividades extras, poucos "cafézinhos" com amigos (que são os colegas de curso, porque vivemos numa espécie de ambiente big brother, todos juntos a estudar), mas muito café (o café aqui...sem comentários). O dia era ocupado com aulas teóricas de manha (inicio às 08h) e aulas prácticas e lab rotations de tarde, depois tinha-se tempo para comprar comida e estudar para o dia seguinte. A vida era passada nos institutos, nas aulas ou a estudar na biblioteca caso tivesse alguma hora vaga. Aprendi mais nesses anos sobre a vida e o mundo do que em toda a minha vida em Portugal e finalmente aprendi muito sobre o meu país. O bom e o mau. Não há nada como sair do nosso país para aprendermos acerca do lugar de onde viemos. Continuei os meus estudos, viajei muito, conheci muitas culturas, religiões e pessoas diferentes. Confirmei o que sempre desconfiei, o atraso da educação em Portugal é hoje em dia, para mim e na minha área, assustador.

Encontro-me novamente numa encruzilhada, a finalizar um doutoramento e a ter que decidir o meu rumo. Sempre fui uma sonhadora (acho que se nota he he) e alimentava o desejo de um dia voltar e poder transmitir o meu conhecimento aos jovens, empurrar a psicologia e a investigação para a frente. Pô-los a pensar criticamente, a abrirem a mente para as recentes descobertas cientificas que se fazem pelo mundo fora, dinamizá-los e motivá-los, acima de tudo valorizá-los, porque sinto (e senti na pele em Portugal) que isso é uma falha grave que caracteriza o país, por muita boa vontade que se tenha a pensar que não. Não creio que volte, embora vá ponderar a hipótese devido às saudades. As possibilidades fora do país são, em geral, melhores, mais justas e sem cunhas*, o que pesa muito nas decisões (é uma balança dificil de equilibrar).

Para quem pense na Alemanha para estudar ou trabalhar, gostaria só de avisar que o ambiente de trabalho é muito competitivo e individualista, mais do que em Portugal. Isso não é nada fácil para nós portugueses. Os chefes são como em todo o lado, há os bons e os maus, exploradores e autoritários. Independentemente disso, na Alemanha valoriza-se o talento e à partida acredita-se no talento. Assim como nos EUA, onde também trabalhei pouco tempo. Aqui há hierarquia e utiliza-se o "você" para situacoes formais, algo que é uma grande desvantagem em relacao aos países de lingua inglesa. No entanto, doutores só quem tem doutoramento. O meu supervisor é professor universitario, tem dois doutoramentos (!!!) e todos o tratamos por tu e pelo primeiro nome, e foi assim em quase todos os departamentos onde trabalhei (mas nao quer dizer que o seja em todo o lado e em todas as áreas).
Mais uma nota, a adaptação à cultura do norte da Europa leva um tempo, e não é um ano que serve para dizer que nos adaptámos, levam anos. Isto se não tiverem apoio familiar, como era o meu caso. Quem vier com amigos ou família as coisas tornam-se muitíssimo mais fáceis.

Isto já é um testamento! Qualquer questão que queiram colocar, façam-no pelo mail (neurosss@yahoo.com.br). Boa sorte para os vossos sonhos :-) Sofia Santos, neurocientista e psicóloga, Alemanha

* quanto a cunhas, há cunhas em todo o lado, obviamente. Mas aqui são raras (não faz parte da mentalidade), eu nunca as vi, pois normalmente as pessoas são escolhidas pelas competências.

29.1.09

Ana Couto, Engenheira Civil. Hamburgo, Alemanha

Como diria o "outro", "a verdade é que me fartei!". Foi isso.
Nunca tive intenções de sair do meu país, para trabalhar, viver. Mas o meu namorado, na altura já me tinha dado a entender que gostaria de voltar à cidade onde tinha feito um estágio, integrado no programa Leonardo da Vinci.
Um dia, quando regressava a casa lá para as 21h, quase dois anos depois a trabalhar como Directora de Obra numa pequena construtora, telefonei ao meu namorado e disse: "Estou farta disto! Vou contigo para a Alemanha quando quiseres!".
E foi nesse dia que tomei a decisão. A verdade é que não foi uma decisão muito difícil, pois o meu patrão nisso, só me facilitou a vida! Fiquei com pena de deixar os trabalhadores e o pessoal do escritório. Claro que agradeço ao meu ex-patrão por me ter dado a oportunidade que muitas outras empresas não me quiseram dar. Porém, eu cheguei mesmo a dizer-lhe: "uma pessoa tem de sentir o reconhecimento do seu trabalho, seja monetariamente, com promoções, com bónus, ou pelo menos com a palavra de apreço do patrão. E eu não tenho nenhuma destas coisas nesta empresa."
Desde o dia em que disse ao meu patrão que me vinha embora até fazer as malas, ainda foram uns 10 meses. Eu "servia tão pouco" para trabalhar (tal como os restantes 20 trabalhadores da empresa :) ), e mesmo assim o meu ex-patrao não aproveitou logo a oportunidade para me substituir. Esperou 10 meses e mesmo depois do meu contrato finalmente acabar, ainda me ligou para saber se podia ir resolver uns problemas a algumas obras. Enfim...

Já cantava António Variações:
"Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se tens a vida em ti a latejar!"

Percebi que Portugal era pequeno demais, nao apenas geograficamente :), para poder realizar-me profissionalmente. Em Portugal somos tantos engenheiros, que se quiseres fazer algo mais apenas porque sabes que consegues, apercebes-te que ser-se "normal" nao é suficiente. Tens de ser "dos melhores" para conseguir uma oportunidade. E mesmo esses, arrumam as trouxas e fazem-se à estrada.

O meu caminho foi bem mais longo do que os caminhos dos que aqui já escreveram. Eu vim sem trabalho para a Alemanha, agarrada ao namorado que tinha conseguido emprego, e tive de começar quase do zero. Tinha apenas o meu curso universitário em engenharia civil e 2,5 anos de experiência em obra. Não sabia falar uma palavra de alemão. Vim ao sabor da aventura sem ter a noção do que me esperava.
Escrevo neste blogue porque sei que muitos o consultam para obter informações de como sair de Portugal para trabalhar no estrangeiro. Pois bem aqui ficam umas dicas para essas pessoas:
1. Informa-te bem sobre o país onde queres trabalhar sobre os teus direitos e deveres como imigrante desse país.
2. Esquece as informações que te dão nos postos da Loja do Cidadão, sobre Trabalhar no Estrangeiro. Pesquisa por ti, na Internet, sobre pessoas que o fizeram e não te acanhes a perguntar como fizeram.
3. Atenção a assistência médica. Sendo cidadão da UE, tens ainda 6 meses de assistência médica a partir do dia em que deixas de trabalhar. Ou seja, tens 6 meses para arranjar emprego para voltares a poder ser assistido num hospital público (a não ser que tenhas capacidade financeira para pagar seguro privado...).
4. Tenta arranjar emprego ainda em Portugal.
5. Nao te metas à estrada sem nada na mão, e com os tostoes contados...

Ano e meio depois de muita perseverânça, muito trabalho, e muita auto-estima, encontrei exactamente o que procurava: um emprego numa grande empresa, disposta a reconhecer o meu trabalho a vários níveis, num projecto a nível europeu deveras interessante. Finalmente, "a cereja no topo do bolo".

Quem quiser mais informações, pode contactar-me: lemos.filipa@gmail.com
Quem quiser apenas acompanhar a minha história, pode fazer através do blogue que acabei de criar http://ainda-vou-a-tempo.blogspot.com/, mesmo com o intuito de informar aqueles que estão dispostos a dar "o salto". Neste blogue podem encontrar algumas informações de como me adaptei a este país, e ter também alguma nocão de quanto dinheiro foi sendo preciso.

Sabem? A nossa vida, somos nós que a conduzimos!

21.1.09

Nuno Oliveira, Eng. Mecânico. Genève, Suíça

Tenho vindo a acompanhar este blog já há alguns meses, mal soube que iria ser mais um de vós.
Tirei o curso que sempre quis, Engenharia Mecânica, na Universidade de Aveiro. Terminei em 2007 e passado 1 achei achei que seria boa altura para ir ter uma experiência no estrangeiro. Daí ter concorrido a um estágio no CERN. Entre concorrer e saber que tinha sido seleccionado passaram bastantes semanas de alguma ansiedade, mas estava bastante confiante.
Estou cá desde fins de Outubro, melhor altura não podia ter escolhido. Parece que toda a gente sabe o que é o CERN devido às notícias sobre o novo acelerador de partículas LHC! A adaptação penso que foi normal, o começo custa sempre, mais quem nunca saiu de casa dos pais, nem na faculdade. Ou seja, não sabia fazer nada no que respeita a ter uma casa por minha conta, ou pelo menos parte dela. Como não queria morar sozinho combinei com mais dois colegas partilhar um apartamento. Notar que não nos conhecíamos de lado nenhum, foi tudo combinado por e-mail. Felizmente temos um óptimo ambiente em casa o que ajuda bastante naqueles momentos de mais saudades ou que algo corre mal.
A decisão de procurar algo no estrangeiro era simples, queria vir conhecer a realidade cá fora mesmo para saber o que temos em Portugal. Achei o CERN uma maneira fácil de o fazer, que me daria uma boa adaptação e que seria uma óptima experiência tendo em conta o ambiente totalmente internacional, onde vemos pessoas de todos os cantos do mundo.
Ainda estou cá há pouco tempo, por isso não posso falar muito do futuro. Depende como correr o trabalho por cá e também do que aparecer "lá fora". Tenho bastante vontade de voltar a Portugal, pois é lá que tenho a família, namorada e amigos, já para não falar do sol, que tanto sinto falta! Mas essa decisão será tomada na devida altura e com a devida consciência, só penso voltar quando vir que me estão a valorizar e que dei um passo em frente.
As pessoas têm tendência a falar sempre mal de Portugal, mas para mim não há país melhor para viver. Temos de dar valor ao que é nosso, quando lá vão colegas nossos estrangeiros só dizem maravilhas, acho que nos falta um pouco de publicidade, a começar por nós mesmo!
Quem quiser conhecer mais sobre esta minha aventura pode ler em:
http://air-at-geneva.blogspot.com/

18.1.09

Carla Teixeira, Licenciada em Ciência de Computadores, Dublin, Irlanda.


Tirei o curso de Ciência de Computadores na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, curso esse que acabei em 2006.
Não foi a minha primeira escolha mas devido ao sistema de educação Português fraco e injusto não consegui, por 2 décimas, entrar no curso de Medicina que tanto ansiava. Isto devido essencialmente a médias inflacionadas pelo "pagar" de notas que tanto na moda estava nessa altura (em 2001) em Portugal.
Foi nessa altura que tomei a decisão de que o meu objectivo de vida seria procurar melhores coisas fora de Portugal.
Sei que era demasiado nova para tomar uma decisão tão drástica mas tendo vindo de uma família de pessoas maioritariamente inteligentes, cultas e com padrões morais e profissionais muito elevados, sabia exactamente o que era ser ostracizada numa sociedade de pessoas mesquinhas, tacanhas e ignorantes. Claro que falo na generalidade já que fiz alguns bons amigos nessa sociedade. Por isso decidi prosseguir os estudos na Faculdade de Ciências, desanimada e desmotivada mas com um objectivo fixo: sair de Portugal e usar o meu grau para isso.

Deparei-me na faculdade com o mesmo tipo de mentalidade que havia encontrado no secundário: professores que davam as notas a quem lhes dava "graxa" (e só muito raramente a quem realmente merecia), as bolsas eram atríbuidas a pessoas que estavam há 11 anos no curso só porque tinham uma média superior em menos de 1 valor a uma pessoa que estava a fazer o curso nos anos certos (este caso é real e eu conheci ambas as pessoas), os professores tratavam os alunos com "baixa prestação académica" ou com sentido crítico (que invariavelmente levava a baixa prestação académica) como lixo, os (verdadeiros) trabalhadores-estudantes eram tratados como burlistas já que mais de 50% das pessoas que pediam o estatuto eram na realidade trabalhadores ficticios nas empresas dos pais, etc. etc.
Mas nem tudo foi mau. O curso era excelente. Os assuntos de estudo eram muito interessantes. Consegui uma bolsa para trabalhar em França durante um mês numa coisa que gostava bastante (o que contribuiu para aumentar o meu desejo de sair do país). E acima de tudo conheci mentes brilhantes e inovadoras (professores e alunos) que ainda hoje admiro.
Se entrei na faculdade desanimada saí deprimida.

Passei uns meses a tentar arranjar emprego porque queria continuar os estudos e tirar um mestrado ou doutoramento. E num país em que se fomenta a "desqualificação" da mão de obra por ser mais rentável para os patrões (já que o salário fica mais baixo) não foi tarefa nada fácil.
Para exemplificar, ponho em baixo alguns diálogos (absurdos) que tive em entrevistas e e-mails de empregadores nessa altura:

Diálogo 1:
Empregador: "E quer tirar mestrado é?"
Eu: "Sim. Pretendo estudar até ao doutoramento."
Empregador: "Ah, então não quer trabalhar!"

Diálogo 2:
Empregador: "A menina tem licenciatura e quer tirar mestrado, é isso?"
Eu: "exacto."
Empregador: "Pois então acho que terá qualificações a mais para este trabalho"
(O trabalho referido seria desenvolvimento de software numa dada área pioneira e inovadora em Portugal)
--

Fazendo fast-forward para quando finalmente consegui trabalho, numa das empresas o patrão pagava tarde e a más horas (quando eu não tinha que pressionar para ter o salário), enganava os clientes, etc.
Noutra das empresas as pessoas eram exploradas, trabalhando fins de semana e horas extra sem serem recompensadas por isso e sendo-lhes dito que a profissão de informático era mesmo assim e que deviam dar graças a Deus por lhes terem dado trabalho. Para além de serem dispensadas pessoas com 10 ou mais anos de casa só por criticarem a gestão da empresa.
Enfim, apenas uma empresa me ficou no "coração" por me abrir horizontes e por ter um trabalho com qualidade e seriedade como não acontece frequentemente em Portugal. E foi essa que me custou mais deixar. Mas essa trabalhava para clientes maioritariamente estrangeiros, o que me permitiu comparar os padrões de exigência e seriedade entre as empresas Portuguesas e Estrangeiras.

E assim, após ter encontrado uma alma gémea que se dispôs a seguir-me até à Irlanda, consegui ter um pé-de-meia para alcançar o meu sonho.

E adoro estar cá!
As pessoas são tudo o que os Portugueses não são: cultas, educadas, trabalhadoras, sérias (não há o culto do xico-espertismo), cívicas, tolerantes. Nunca sofri xenofobia ou descriminação como sofri em Portugal (sentir descriminação de compatriotas dói muito mais que o sentir de estrangeiros).
O trabalho é sério, exigente e com qualidade. Os prazos são para ser cumpridos mas são estimados com perspectivas realistas porque as pessoas que o fazem são competentes. O meu desejo de fazer mestrado foi acolhido com entusiasmo e ser-me-á dado um financiamento para o fazer se eu assim o quiser. O meu mérito é reconhecido ao ponto de receber emails de superiores a dizer "Obrigado pelo trabalho bem feito". O salário é o dobro do que tinha em Portugal.
A cidade é bonita apesar do tempo chuvoso e com muito planeamento urbano.
Enfim, sou feliz agora. Sinto falta da família e dos amigos (muito poucos) mas só o voltar pelo Natal deixa-me deprimida novamente ao ver que nada mudou no País.
Não conto voltar. Se me fartar daqui vou para outro país que não Portugal.

Mais informações sobre a minha aventura e contactos em:
http://ccatdublin.blogspot.com/

15.1.09

Teresa Carona, Acessora de Gestão. Durham, EUA

Conheço este blog desde os seus primeiros dias, e mais uma vez deixo os meus parabéns pela iniciativa!
Desde que me foi pedido estive relutante em contar a minha historia, por que os motivos que me levaram a sair de Portugal (do Porto) não foram profissionais. Estou a viver nos Estados Unidos desde Setembro de 2005 e sai de Portugal por Amor. Literalmente. O meu marido, esse sim, saiu para fazer investigação e terminar o seu doutoramento. E agora terminado, trabalha como pos-doc no Departamento de Neurologia da Universidade de Duke. Onde, por acaso,também eu acabei a trabalhar. Ao contrario de alguns, ou de muitos, não me posso queixar da minha experiência profissional em Portugal. Licenciei-me em Assessoria de Gestão e sempre tive bons empregos com bons salários e excelentes condições. Quando cheguei aqui, a Durham, Carolina do Norte, EUA, comecei a trabalhar nos Serviços de Assistência Social como tradutora de espanhol. As condições não eram fantásticas, mas valorizo cada dia do trabalho que tinha porque me deu a conhecer a verdadeira América. E claro, todos achamos que sabemos falar inglês ate sermos confrontados com o profundo inglês da 'southern america'. Foi uma experiência única. Mas porque melhores condições me foram oferecidas na Universidade de Duke, estou desde Agosto de 2006 a a trabalhar como Research Technician num dos laboratórios de Neurologia. Confesso que não era a minha especialidade profissional, mas tudo se aprende, e hoje em dia faço dos ratos e ratinhos o meu dia-a-dia. E agora, que a volta para Portugal se avizinha, nem sei bem o que escolher entre uma secretaria ou uma bancada... Logo se verá! E porque acho que em algumas questões Portugal acaba sempre injustiçado, só me resta dizer que os portugueses tem que valorizar muito o pais que somos. Não só a nossa gente, mas as condições que com mais ou menos barulho e luta os nossos governos nos tem oferecido! Nem tudo e' bom, mas comparado com a experiência que tenho tido aqui, e' excelente! Para dar alguns exemplos, nos pagamos de seguro de saúde cerca de $1200 por mês! E que não nos passe pela cabeça abdicar de seguro porque seriamos recambiados para Portugal num instante! Uma simples visita a uma urgência, só pelo facto de se passar pela porta, fica no mínimo por $150, e depois virão o resto das contas! A minha licenciatura ficou no total pelo valor das propinas (na altura penso que rondavam os 300$ por ano). Aqui, por exemplo na Universidade de Duke, o valor das propinas é de cerca de $40.000/ano! E numa universidade publica o valor anual das propinas não será nunca inferior a &10.000/ano. Em Portugal endividamo-nos para comprar casa, aqui alem desse encargo, as pessoas endividam-se (para toda uma vida) para estudar! Quando tive a minha filha, tive direito, e muita sorte, a 15 dias úteis de licença de maternidade. Claro que poderia ter ficado em casa mais 4 meses, mas seriam não pagos e sem garantia da minha posição quando quisesse voltar. Quem acabou por ficar em casa, com licença de paternidade, foi o meu marido, com licença paga pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Não posso deixar de dizer que achei isto fantástico! E pronto, não me alongo mais... foi por amor e assim será quando tiver que ser. Todos os dias me lembro do Porto, do mar e das pedras da minha rua. Tenho muitas saudades de Portugal e não penso em não voltar. Aqui esta-se muito bem, e temos uma qualidade de vida que ai seria difícil, mas não me esqueço nunca de que se está bem em Portugal.

10.12.08

A pedido do Nuno Camacho, o GAP divulga e pede a vossa participação no seguinte estudo:

Eu (Nuno Camacho) e o Luís Carvalho, ambos investigadores da Faculdade de Economia da Universidade Erasmus de Roterdão, estamos a desenvolver um estudo em que tentamos perceber as percepções dos talentos Portugueses sobre as condições de vida e trabalho em Portugal e/ou no país onde se encontram a residir ou trabalhar.


Desta forma, vimos pedir a vossa colaboração. Quando tiverem 15 minutos disponíveis, seria fantástico se respondessem ao inquérito que preparamos para este estudo. O objectivo do nosso estudo é sugerir estratégias e acções para um melhor aproveitamento do talento e capital humano português (tanto o que temos em Portugal, como o que se encontra espalhado pelo mundo). A vossa ajuda é preciosa para levarmos este estudo a bom porto. Todas as respostas serão tratadas de forma confidencial.

Se trabalha/estuda em Portugal, p.f. utilize o link:
http://www.surveygizmo.com/s/77090/inqpt

Se trabalha/estuda fora de Portugal, p.f. utilize o link:
http://www.surveygizmo.com/s/77861/inqxpt

PS - Qualquer informação adicional ou comentário pode ser obtido através do envio de um e-mail para braingain.pt@gmail.com.

25.11.08

Hugo, Licenciado em Sistemas de Informação para a Gestão. Toronto, Canada

O meu nome e' Hugo, sou natural de Barcelos e formei-me no Instituto Politécnico do Cavado e do Ave em Sistemas de Informação para a Gestão. Actualmente moro em Toronto, Ontário, Canada e há um ano que faço Quality Assurance (para facilitar um bocado as coisas, digamos que testo software, apesar de que ser QA envolve muito mais do que isso) num dos maiores bancos do Canada.

Mudei-me para aqui, como podia ter-me mudado para outro lado qualquer. Casei-me com uma canadiana e meti os pés ao caminho. Mas a minha ideia passava sempre por sair de Portugal.
A ideia que tenho do nosso pais e' que há muita gente que se queixa de muita coisa, mas não sabem realmente o que fazer para mudar isso. Entretanto, formamos jovens as carradas para os inserir num mercado de trabalho que não existe nacionalmente. Acabamos por fim a ver licenciados em, por exemplo, engenharia química a trabalhar em balcões dos bancos. Não e' que haja nada de errado nisso, mas será que quando um jovem escolhe um determinado curso de química, esta a pensar em ir trabalhar para um banco? Quanto muito escolhia um de economia ou de gestão e depois tentava subir nos quadros. Mas adiante...
Estava a ler o blog Norteamos e dei de caras com mais uma estoria de alguém que teve de sair de Portugal para poder ser alguém. E lembrei-me imediatamente do tal artigo que deu inicio a este blog. O link? Guardo-o religiosamente: http://dn.sapo.pt/2005/10/28/tema/20_licenciados_fogem_portugal.html
E' uma reportagem que não me sai da cabeça nunca, especialmente porque decidi sair do meu pais temendo já aquilo que me iria acontecer, como acontecem aos muitos dos meus colegas licenciados.
Digo já que não guardo amores nenhuns ao meu "querido" pais natal, que sempre me tratou de uma forma medíocre. Aqui tenho toda a liberdade para fazer o que quero e o meu trabalho e' muito apreciado e muito bem visto. E confesso desde já que havia uma desconfiança inicial em relação a mim devido 'a minha nacionalidade. Gostei imenso de provar que nos os portugueses somos capazes de fazer coisas muito boas, mas colocam-nos entraves no nosso próprio pais. Desde medicina 'a informática, os recém-licenciados não tem hipótese nenhuma de se impor e fazer um real uso do seu valor.
Para terminar e demonstrar como Portugal só tem a perder com este 'êxodo de cabecinhas pensadoras', fui distinguido recentemente com o prémio de excelência para 2008 (2008 (nome do banco) Award of Excellence) e conseguir isto, no primeiro ano que estou a trabalhar no banco e sendo eu ainda considerado júnior, e' um feito de um tamanho que nem eu consegui perceber ainda... Não duvido nadinha, que tal como eu, existem muitos outros a quem o trabalho e' devidamente reconhecido e recompensado.
De Portugal... tenho saudades dos meus pais e dos meus amigos. A vida aqui seria um paraiso se os tivesse ca', mas a vida nao pode ser como a gente quer.

21.11.08

Gustavo Martins, Licenciado em Informática e Gestão de Empresas. Haia, Holanda

A minha historia...

O meu nome e' Gustavo Martins e sou Software Engineer na Holanda.
Trabalho com tecnologias Microsoft para a implementação de aplicações web.

Trabalhei em Portugal durante algum tempo, numa empresa relativamente pequena, ate ao momento em que decidi mudar.
Escolhi para meu segundo empregador uma consultora com escritórios em vários países, já a pensar que um dia poderia aproveitar o facto para uma experiência internacional.
Passados quase 2 anos nessa consultora decidi que estava na altura de experimentar o estrangeiro.
Pressionei o meu manager a arranjar-me um projecto internacional. Da pressão 'a execução demorou algum tempo porque quando estamos a ser facturados existe uma inercia natural em quem tem pessoas paradas por oposição a um caprichoso que só quer sair do pais.
No final tudo se proporcionou e fui trabalhar para Haia, na Holanda. Sucederam-se os projectos e um ano e meio depois de ter chegado, decidi sair da empresa e assinar contrato com uma empresa holandesa, onde estou actualmente.

A experiência tem sido muito boa, recomendo sempre a qualquer pessoa que se sente acomodada ou que tem vontade de mudar. Abre-nos os horizontes, torna-nos pessoas mais vividas e com uma maior capacidade de tolerar a mudança.
Apesar de tudo também tem os seus pontos negativos. O pior que tenho sentido e' a barreira da língua. O holandês não e' fácil e, em situações profissionais expostas a ambientes exclusivamente holandeses, pode ser um passo atrás na carreira.
Escolhi um pais que:
- tem uma óptima qualidade de vida
- esta bem localizado para quem quer viajar
- tem empresas que se preocupam genuinamente com os seus trabalhadores e que lhes providenciam as condições necessárias para executarem o seu trabalho e para evoluírem dentro ou fora das suas funções
- tem uma diversidade cultural enorme
- e' tolerante em todos os sentidos possíveis
- tem a melhor rede de transportes do mundo o que torna acessória a necessidade de ter carro
- ...

Não sei se o futuro passa pela Holanda, mas por Portugal não passa com toda a certeza. Ha um mundo inteiro para descobrir!!!

Se alguém ler isto e estiver a considerar embarcar numa experiência internacional... não hesite!
Seja para a Holanda ou para outro pais, vale sempre a pena. Se não correr bem, pelo menos tentou!

Alguma pergunta que queiram fazer sobre a minha experiência ou sobre um eventual saída de Portugal, não hesitem.


Email: gustavo.martins.lnh@gmail.com
Blog: CaPorFora.blogspot.com

16.11.08

Pedro, Engenheiro Informático. Haia, Holanda

Que bela surpresa tive hoje em ter encontrado este blog. E' sempre revigorante ler experiencias de pessoas que tal como eu decidiram viver uma aventura fora de Portugal. Uns de forma definitiva outros como um folego momentaneo mas todos com historias e testemunhos muito interessantes e que podem ajudar a clarificar as duvidas dos mais indecisos.

Penso que a minha aventura e' das mais recentes aqui relatadas mas quero mandar tambem a minha pedra neste charco de experiencias de lusitanos que equacionaram e decidiram dar uma escapadela.

Desde muito cedo comecei a trabalhar na minha area de formacao, Informatica. A partir dos 18 anos comecei com alguns trabalhos em part-time para arranjar uns trocos para os fins de semana mas porque queria atingir rapidamente a minha independencia os 3 ultimos anos do meu curso trabalhei em full-time na mesma empresa.

Nao que tivesse razoes de queixa em viver em casa dos meus pais ou que me sentisse mal no meio social envolvente mas tinha algo a remoer em mim, uma sensacao de que queria algo diferente daquele ambiente controlado, previsivel e confortavel. Apos ter conseguido, com bastante sofrimento, terminar o meu curso de Engenharia Informatica pelo Instituto Politecnico Engenharia do Porto em 2006 senti mais uma vez o bichinho a remoer. Eu nao estava mal, mas queria mais! Tinha um ordenado que dava para viver confortavelmente mas queria comecar a tracar um novo trilho. Sentia que a passagem pela faculdade pouco ou nada tinha alterado a minha rotina diaria e as responsalidades no meu emprego. Estava irrequieto e desanimado. Na altura nunca me passou pela cabeca uma aventura fora de portugal pois largar familia, amigos de sempre e namorada era um passo demasiado grande e arriscado e que por isso nunca o coloquei em consideracao.

Apos uma pesquisa de empregos por todo o pais reparei que a zona com uma melhor e maior diversidade de propostas de trabalho e' Lisboa. Tive algumas propostas e decidi-me por uma empresa que na altura estava a comecar. Era uma empresa de consultoria e diferente do que ate entao estava habituado. Muitas pessoa a receber o ordenado da mesma entidade patronal, mas todos espalhados pelos clientes e apenas com dois pontos de contactos anuais com os colegas: jantar de natal e aniversario da empresa.
Comecei com o peito cheio de ar, entusiasmado e motivado com as condicoes que me eram oferecidas.
Ja ouvi boas e mas experiencias em consultoria. Temos que ter sorte no projecto onde calhamos e com um pouco sorte podemos escolher o que mais se adequa 'a carreira profissional que aspiramos. Infelizmente nao aconteceu comigo e durante 7 meses tive nessa empresa num projecto nada aliciante e onde sentia-me a vegetar. Estando em lisboa nao por necessidade mas como uma aposta que estava a fazer em mim, a ter gastos com casa e viagens todos os fds para Santa Maria da Feira decidi que tinha que fazer alguma coisa. Falei com o meu manager na altura e apos algumas promessas falhadas cheguei a conclusao eu estava a ser um bom negocio para a minha empresa mas nao para mim. Senti que estava num negocio de carnes onde os consultores eram colocados por tempo indeterminado em clientes independentemente o trilho profissional que auspirem ter.

Decidi por procurar outro desafio. Nesta altura ja tinha equacionado a saida de portugal mas foquei a procura dentro de portas. Arranjei um projecto bastante interessance e desafiante numa empresa de producao de software na margem sul de Lisboa e com isso tive mais uma mudanca na minha vida. Arranjar novo espaco para morar, mudar a minha rotina e travar novas amizades. Admito que gosto ritual. Talvez porque sou novo e nao tenho encargos (filhos, casa) decidi dar outro passo.

Passado um mes tive a chamada de um amigo para ir para a Holanda. A empresa estava a contratar e estavam a precisar de pessoas com o meu perfil. Ele ja me tinha abordado a alguns meses atras mas porque estava ainda em periodo de experiencia na actual empresa e ainda nao tinha muitas responsabilidades decidi dar continuidade ao pedido de informacao. A entrevista telefonica correu bem e apos uma entrevista em que fui 'a Holanda, fizeram-me uma proposta.
Regressei a Portugal e nesses dois dias equacionei todas as variaveis da minha vida. Estava numa boa empresa a ter o tipo de trabalho que andava a' procura, num bom ambiente e integrado numa boa cultura empresarial. Conversei com as pessoas que me conheciam melhor, pedi opinioes e tentei dar resposta as perguntas: o que quero, o que tenho a perder, o que tenho a ganhar. Conclui que senao aceitasse mais tarde ia-me arrepender pois dificilmente iria ter uma oportunidade como esta. Tinha um emprego com boas perspectivas de me realizar profissionalmente, um apartamento a minha espera e um peito cheio de ar para encarar as previsiveis dificuldades. Se corresse mal e nao me ambientasse era comprar um bilhete para Portugal. Assim foi e sai com o objectivo de estar um ano e agora faz 5 mes que estou em Haia.

Existem ate agora duas perspectivas: pessoal (social) e profissional.
Como e' a minha primeira experiencia fora de portugal estou a ter uma infinidade de primeiras experiencias que ainda estao a ser sentidas e compreendidas. Existe uma grande comunidade portuguesa por ca e tendo a Holanda uma cultura virada para os estrangeiros nao sinto dificuldades na integracao. Admito que o primeiro mes nao foi facil pois existe muita burocracia a ser tratada e alguns choques culturais e linguisticos a serem ultrapassados mas neste momento ja estou instalado e integrado em varios grupos de amigos. Esta a ser uma excelente oportunidade de interagir com pessoas de diferentes culturas e valores e tendo o pais uma localizacao central rapidamente se acede a varios pais circundantes.
Profissionalmente admito que ate agora nao esta a corresponder as expectativas. Talvez coloque a fasquia alta, talvez seja exigente mas que culpa tenho em querer aquilo que me prometem?! Apos algumas dificuldades administrativas e problemas iniciais na comunicacao interna dentro da empresa neste momento estou integrado numa empresa cliente multinacional onde existe quase o mesmo numero de estrangeiros e holandeses. Estou a ter novos desafios no relacionamento inter-cultural entre pessoas, estilos de trabalho e de expectativas. Considero ate agora positivo este saldo, mas como ambicioso que sou, ainda com espaco para melhoramentos.

O balanco e' francamente positivo e como em quase todos os posts que tenho lido acerca deste assunto partilho a sensacao de arrependimento de nao ter dado este salto mais cedo. Nao aconteceu por falta de coragem ou por desconhecimento consciente das opcoes que existem fora de portugal. Ha sempre um risco a ser ponderado mas penso que o retorno e' sempre positivo. Nao sei qual sera a minha decisao daqui a 7 meses quando fizer um ano que estou ca. Se vou continuar nesta empresa, se continuo pela Holanda ou se vou para outro pais. Depende das motivacoes que me agarrem por ca e as oportunidades que irao aparecer.
As saudades da nossa terra sao muitas e penso que nunca como agora dou tanto valor ao nosso Portugal. Em muitas coisas nao ficamos atras de muitos paises e infelizmente sinto que existe alguma mentalidade negativista que teima em comparar o nosso cantinho apenas naquilo que de nao tao bom temos. Neste momento tenho a certeza que desejo regressar a Portugal. Gosto disto, da vida da cidade, da minha vida, do ritmo, da novidade mas quero voltar as minhas raizes, 'a minha terra. Talvez regresse e me desilusa. Pode acontecer, mas se esse dia acontecer e se ele chegar vou tentando espalhar por ca o orgulho que tenho em ser portugues e aquilo em que somos bons.

Vim 'a procura de uma nova aventura, saborear novas experiencias para regressar a Portugal com outras perspectivas. Talvez aconteca daqui a um, cinco ou dez anos mas com optimismo digo que chegarei com mais bagagem do que quando sai.

pedrotx@gmail.com
http://terminal19.blogspot.com

12.10.08

José Gabadinho, Engenheiro Informático. Brugg, Suiça

Olá!
A minha saída de Portugal pode resumir-se numa palavra: fartei-me. Fartei-me da falta de planeamento urbano obrigando a utilização de carros e o consequente trânsito caótico, a falta de respeito generalizada (das empresas aos seus trabalhadores, das cidades aos seus munícipes, etc.), da falta de coragem política para mudar o que não funciona, enfim, a lista é longa.
E tinha uma questão pessoal a responder: tem que haver algo melhor que isto lá fora!
Quando me recompus do choque que foi ver a empresa onde trabalhava, de renome na área da informática, ir quase à falência devido a erros de gestão, e que ordenados em atraso não acontecem apenas em fábricas, decidi arriscar.
Saí há já 5 anos com uma bolsa da FCT para um estágio no CERN pela ADI, pois considerei essa a maneira mais simples de o fazer. Além disso queria mudar o mais possível, no meu caso do sector privado em Portugal para a área de investigação no estrangeiro. Passado um ano mudei-me para a França onde estive quase 4, e este verão voltei para a Suiça, ainda na área de investigação, agora no maior instituto federal suiço.
Até hoje não tive intenções de sair da Europa.
E o que descobri quando saí? Que tinha vivido enganado! Povo latino, quente e acolhedor? Tretas! As pessoas por essa Europa fora são muito mais despreocupadas, educadas, responsáveis e sobretudo muito menos mesquinhas. No emprego trabalha-se, não se passa o tempo, e como todos assim o fazem as coisas funcionam e o stress é muito menor. E na sociedade as regras que existem são pensadas e feitas para melhorar a qualidade de vida, logo não estorvam. Muito maior mobilidade, é tão fácil mudar de emprego, cidade, apartamento, que às vezes até assusta.
Quando os meus colegas sabem que sou português normalmente ficam curiosos pois no meio onde me movimento não existem muitos, normalmente apenas estudantes/estagiários e não como staff dos institutos. Nunca tive problemas de discriminação, mas é verdade que não falar a língua do país pode levar a situações no dia-a-dia menos agradáveis.
Volto a Portugal regularmente para rever a família. Os meus amigos por lá (aí...?) têm por vezes uma visão demasiado lírica da minha situação, talvez por tido a coragem de fazer o que eles apenas imaginaram. E cada vez mais me perguntam como é viver no estrangeiro, já não apenas como curiosidade mas para tentar perceber se funcionaria para eles.
É lógico que é difícil sair, largar (ou levar) família e amigos; se emigrar vale a pena é uma pergunta que não se pode responder pelos outros. Se se vive melhor no estrangeiro também depende: a resposta é sim para quem precisa de trabalhar para viver (e no caso particular da Suiça mesmo os trabalhos mais básicos são bem remunerados e não existe tanto estigma). Para outros Portugal pode
ser um paraíso. Pessoalmente não saí pelo dinheiro, nem ganho assim tanto comparado com o que poderia ganhar em Portugal.
Se vou voltar? Não sei. Na realidade procuro trabalho em projectos interessantes, e se encontrar um em Portugal não existe nenhuma razão para não o aceitar, mas se voltar sei o que me espera (e também o que existe cá fora): volto de olhos abertos.
O meu único arrependimento, não ter saído mais cedo!
Tschüss!

gabadinho@gmail.com

1.10.08

Cláudia Inês Pereira, Licenciada em Microbiologia, Zurique

Concluí a minha licenciatura em Microbiologia em 2002 e enveredei quase de imediato pela Investigação. Neste momento, encontro-me no último ano do Doutoramento numa Universidade no Porto.

Em 2006 e devido às exigências do meu trabalho, deparei-me com a necessidade de ter de ir para Zurique, na Suíça, por alguns meses. Na altura foi como que um desafio para mim, sabia que ía ser difícil, mas ao mesmo tempo compensador. Sabia que ía passar momentos difiíceis, mas que por outro lado iria ser uma experência enriquecedora.

Estive de Março a Agosto e posso dizer que foram muitas as lágrimas que derramei durante o voo Zurique-Porto, quando tive de me ir embora. Jurei que havia de regressar e só consegui cumprir o prometido 2 anos depois e mais uma vez, devido a compromissos profissionais.

Estou novamente em Zurique, mas numa tristeza crescente a cada dia que passa, pois volto para Portugal no fim deste mês. Foram 8 meses, dos quais só tenho memórias felizes.

Apaixonei-me por esta cidade, este país, esta cultura!

Tenho de regressar a Portugal para concluir o meu doutoramento, mas que ninguém tenha dúvidas que é para qui que eu venho depois e definitivamente. Quer seja para fazer um Pós-doutoramento, ou para trabalhar numa empresa.


24.9.08

João Raminhos, Enfermeiro. Moutier, Suíça

Durante toda a minha vida jamais pensei ser emigrante, muito menos nestes últimos 4 anos em que tirei o curso e que em que já me via a trabalhar num hospital perto de casa!
Contudo, com o curso concluído e com a situação vergonhosa da Enfermagem em Portugal, as minhas esperanças de encontrar um posto de trabalho, saiam semana após semana frustradas.
Um dia e em jeito de brincadeira, um colega de curso questionou-me o porquê de não irmos trabalhar para a Suíça. Essa possibilidade ficou a pairar sobre as nossas cabeças, e uns tempos mais tarde numa mistura de férias e de ter uma ideia de como as coisas são, viemos até cá.
Uma vez cá, e através de conhecimentos de enfermeiros portugueses que já cá estão há mais tempo, fomos até uma agência de emprego. O curioso disto é que nem eu nem esse meu colega falávamos francês (já que estou na parte francesa), pelo que utilizamos o inglês para entregarmos os nossos currículos e explicarmos o nosso interesse em para cá vir. Da parte da agência disseram-nos para voltarmos para Portugal e aprendermos francês, que da parte deles iam-nos arranjar emprego.
Passado um mês, e depois de termos frequentado umas aulas de francês e de relembrarmos tudo aquilo que damos na escola, a dita agência contactou-nos a informar que tinha encontrado lugares para trabalhar, num hospital numa cidade que nem sabia onde ficava!
As malas foram feitas, os bilhetes comprados, as despedidas feitas e lá estávamos nós a partir rumo ao desconhecido. Coincidência ou não, poucos dias antes de vir embora foi-me oferecido um lugar no serviço e no hospital que queria, mas que recusei…
Os primeiros dias, foram um bocado a apanhar do ar: falavam muito rápido, não se conhecia ninguém, rotinas diferentes, tempo frio, e todo um outro mundo a descobrir… Mas foi rápido a apanhar o ritmo, e a integração foi boa. Nunca me senti alvo de discriminação ou intolerância, antes pelo contrário sempre me ajudaram.
Estou cá quase há um ano, e estou bem. Tenho um contrato de trabalho a termo indeterminado (algo quase impensável em Portugal); apesar de ter mais de horas semanais (42 horas) trabalho menos; o salário é 2,5 vezes maior; a cidade onde moro é tranquila e com boas conexões aos principais centro urbanos suíços; conheço gente de muitos outros países e outras culturas; farto-me de passear e de descobrir sítios novos.
Entretanto e por razões pessoais, o colega que veio comigo regressou a Portugal. Mas, como a falta de pessoal qualificado a nível de saúde é elevado, outros colegas para cá vieram e aos poucos a comunidade portuguesa vai aumentando no hospital onde trabalho. Parece anedótico, mas muitos mais podem para cá vir, ninguém se mostra é interessado!
Saudades de casa a bem dizer não sinto! Hoje em dia já ninguém espera pelo carteiro para saber notícias de família e amigos. E de avião são apenas 2.30h até Lisboa.

Vir para cá foi a melhor coisa que podia ter feito!

21.9.08

Tiago, Arquitecto Sócio - Gerente de Empresa de Arquitectura. Paris

Foram 12 anos.
12 anos duros a trabalhar em Lisboa como Arquitecto, mas que considero um caminho e uma escola que me permitiu estar onde estou hoje.
Sempre fui, e sou, uma pessoa que acaba por condicionar a vida ao trabalho e não o inverso. Sou assim e talvez por isso, por fazer aquilo que gosto e ser alguém dedicado - porque não me chateia - e que rapidamente ascendeu às metas pretendidas.
Construí muita coisa, desenhei muita outra, e sonhei ainda mais.
No entanto, e com o espírito aventureiro que sempre tive decidi começar a olhar la para fora, no dia em o desrespeito por aqueles que estão à nossa volta tomou proporções drásticas.
….. Epa e que grande mundo se abriu de repente….
A partir desse dia toda a realidade que me estava próxima começou-me a incomodar :
Os berros do « patrão » ; a facilidade que se descarta alguém que trabalhou anos e anos ao nosso lado – só porque « já não é rentável » ; as invejas mesquinhas dos colegas que resultavam em atitudes dantescas na relação profissional e pessoal ; ….
Creio que todos conhecem a realidade do mundo do trabalho em Portugal, e ainda mais na área da Arquitectura onde quase todos os profissionais estão a recibos verdes, ou com estatuto de trabalho precário, que resulta num quase pavor de perder o trabalho. Pois todos contraímos empréstimos para a compra da casa e do carro, e temos de os pagar.
E « eles » os patrões a fazerem-se valer disso.
Dia 3/9/2007 sai' de Portugal.
Troquei Lisboa, os amigos, uma casa grande, o meu carro, os meus copos junto ao Tejo, por Paris – uma casa minúscula, um passe para os transportes públicos, um ordenado quase igual ao que tinha, um tempo miserável, quase sempre cinzento, um francês que falo mais ou menos e que escrevo ainda pior …. mas um « emprego ».
E aqui vi e vivi aquilo que nunca pensei :
Não são os trabalhadores que têm medo dos « patrões », é o inverso; não são os trabalhadores que têm de ir horas e horas para se inscreverem na Segurança social, ou nos diversos organismos oficiais – é a empresa que faz isso tudo. Não são os trabalhadores que assumem as « dores » da empresa, são os « patrões ».
Acredito que é devido à permanente contestação social dos franceses, que os levam a ter os direitos que em Portugal « ouvimos falar ».
Trabalha-se 35 horas por semana (façam as contas) e eventualmente, e muito bem pagas, 39 Horas. Direito a férias é mais que assumido; Direito e obrigação a formação (anualmente); Direito a subsidio para almoço, Direito a …. Direito a ….
Sim em Portugal a legislação de trabalho é talvez uma das mais duras da Europa – se fosse aplicada.
Aqui hà 2 tipos de contratos ou CDD – contrato a tempo determinado (que se tem de justificar junto do trbunal do trabalho o porquê da sua aplicação) e CDI – contrato a tempo indeterminado (que para despedir là vêm as indeminizações).
Tambem ha' os honoràrios ou o freelance, mas é impensavel colocar alguém dentro destes moldes a trabalhar na empresa – é que o contrôle dos serviços governamentais existe !
(Mas como qualquer pais que tem uma viragem no sistema politico, começam a ser equacionados estes valores - o Sarcozi prepara-se para mexer nestes direitos… la vêm as greves….)
E' por estas razões que o mercado aqui é muito mais rotativo do que em Lx, pois é o trabalhador que esta sempre a procura de melhor e não o inverso.
Por « ironias diversas do destino » acabei como socio e Gerente da empresa, e passei de um Salariado (aquilo que vim a procura em Paris, pela estabilidade, tranquilidade, etc) a « patrão ».
Vivi e vivo essas duas realidades num pais onde os direitos e garantias estão de facto ao lado do Trabalhador.
Curioso, trabalho quase o mesmo, senão um pouco menos que trabalhava em Lisboa, e ao fim de um ano jà sou socio e acabei por ficar gerente, por me ter começado a envolver no controle financeiro da empresa.
E passado um ano o meu conselho é para aqueles que perguntam: SIM, VALE A PENA !

arq-tcf@hotmail.com

3.9.08

Eduarda, Senior Designer, Noruega

Comecei a trabalhar, ainda estava no ultimo ano da faculdade. Optei por começar a trabalhar antes do final do curso, não podia dar-me ao luxo de estar à espera de emprego quando terminasse.
Trabalhei durante 7 anos em vários sítios, até um dia, por mutuo acordo, sair. Fiquei quase 2 anos com sub. de desemprego, por opção e, também, desiludida e cansada com o sistema. Trabalhos como freelancer, mas não era o suficiente. Ao fim deste tempo, arranjei emprego, mas em termos salariais, estava muito diferente em relação ao salário que havia tido no meu ultimo. Desilusão das desilusões, aceitei, durante 1 ano, receber metade, sim, leram bem, metade do que, em tempos, eu recebia.
Há muito que pensava em ir para fora, fui sempre menina para arriscar, mesmo sem certezas, mas ir para fora, seria uma decisão muito importante e isso fez-me retrair um pouco. Por saudades dos meus pais, do meu cão, da minha casa, dos meus amigos...
Decidi-me em Novembro de 2007.
· Decidir o país: Inglaterra ou Noruega?
· Enviei portfolios para os dois.
· Melhores prespectivas na Noruega! Optei por este!
· Melhores salários! (Bom motivo).
· Respostas positivas ao meu portfolio e quase imediatas! É mesmo aqui que quero ficar!
Estava indecisa entre Oslo e Arendal! Decidi-me por Arendal. O mesmo salário que me ofereciam em Oslo, cidade muito mais barata e mais pequena.
O facto de ter sido tão bem recebida, de ganhar muito mais do que no meu país, de o meu trabalho ser reconhecido e recompensado, vale todo o esforço.
Adaptei-me bem a esta minha nova vida, e gosto:
· gosto de viver aqui;
· gosto do meu trabalho.
Tenho saudades, é claro, saudades da minha família, do meu Mooch, dos meus amigos... do cheiro da minha casa.
Mas aqui sou feliz!
Ás vezes nem consigo acreditar que aqui estou. Sorrio de felicidade e tento acreditar que é verdade! Foi tudo tão rápido, uma mudança de vida tão rápida que nem deu para parar e pensar no que de facto aconteceu!
A primeira vez que aqui vim, em Dezembro, à entrevista, senti aquele friozinho na barriga e ao mesmo tempo uma sensação de descoberta e deslumbramento. Nunca tinha ouvido em tal nome, Arendal, e muito menos onde ficava. (Como um amigo meu disse e muito bem: "Parece nome do Senhor dos Aneis")
Nem imaginam a minha euforia, chegar a Oslo por 4 dias apenas, e pensar que só iria ter entrevistas lá, e de repente recebo um email em como me queriam conhecer em Arendal. Faziam questão, nem que fosse no fim de semana. E agora?!?! (pensava eu). Uma cidade a 300 Kms a Sul de Oslo, e sem saber bem como ir. Mas com os horários do bus e muita vontade, lá fui eu... 4 horas para "baixo" e mais 4 para "cima". E qual não foi o meu espanto, fui recebida como uma verdadeira princesa, com tudo a que tenho direito :)
Uma calorosa recepção, uma cidade "cozy", um almoço divino ao som do piano e uma entrevista que foi decisiva "... and you have one year childbirth license." O quê?!?! - pensei eu - Estou a ter a primeira entrevista, e eles já me estão a dizer que tenho 1 ano de licença de parto?!?! Incrível, não é? Se algum dia em Portugal isto acontece!?!

http://eduarda-na-noruega.blogspot.com/

19.7.08

Mónica Silva,Advogada, Lausanne, Suíça

Ora bem como muitas outras histórias aqui contadas também a minha se enquadra dentro do mesmo universo.
Apesar de ter nascido em França desde os 2 anos que vivi no Porto.Depois de já ter pensamentos próprios sempre aspirei estudar no estrangeiro. Felizmente, tive essa oportunidade e ainda por cima na cidade fantástica de Paris. Estudei na Universidade de Nanterre, mais uma vantagem: Faculdade com bastante tradição, que "carrega" em si o peso de ter dado o mote para o Maio de 68.
Voltada desta experiência inolvidável e única da minha vida acabei o curso e, de seguida, iniciei o percurso na OA. Depois de um estágio de 18 meses (que na prática foram 2 anos)finalmente podia dizer: sou Advogada!!Concretizei assim no final de 2006 aquilo que sempre desejei.
Bom depois começou o envio de CV's e algumas entrevistas.
Em Janeiro de 2007 fui trabalhar para uma empresa (receber 600€), em Maio já estava a trabalhar noutra (aqui a exercer funções no departamento jurídico e a ganhar 700€). Entretanto, no mês de Julho fui operada a um ombro e eis que me surge a oportunidade da minha vida.
Como estava de baixa em razão da cirurgia efectuada pude estar presente no Campeonato do Mundo de Juniores de Polo Aquático como oficial de mesa (sou jogadora e árbitra). E no último dia da competição uma pessoa veio falar comigo e perguntou-me qual era a minha profissão. Disse que era advogada e por ali ficamos.
Para meu espanto no dia seguinte essa pessoa liga-me e era só o Director Executivo da FINA (Federação Internacional de Natação)a convidar-me para integrar o departamento jurídico deles.
Sem mais demoras, enviei CV, no fim de Agosto vim a uma entrevista e no dia 1 de Outubro comecei a trabalhar.
Foi de loucos e também preciso muita coragem.Deixei família,amigos, namorado e toda uma vida em Portugal.Confesso que me custou e ainda custa mas como costumo dizer:"não se pode ter tudo na vida".E esta oportunidade eu não podia perdê-la.
Como atrás referi custou-me e custa-me estar longe de tudo e todos e,portanto, ao contrários dos muitos testemunhos que aqui li posso dizer que quero voltar. Mas vou voltar com a certeza de que poderei concretizar todos os meus projectos.
Acho que todos os jovens deviam experimentar algo fora de Portugal para não ficarem restringidos àquele "Mundinho". Mas depois regressem para levaram o vosso conhecimento aos pobres de espírito que se julgam muito bons e não passam de uns incapazes de fazer seja o que for para o País evoluir.
Os meus cumprimentos a todos os que saíram e também aos que ambicionam voltar.

(monica_silva20@yahoo.com.br)