28.4.08

João Fiuza, Eng. Informático, Nice, Franca

Após tirar o curso e uma pequena experiência de trabalho, comecei a trabalhar como consultor, num projecto para uma agência de noticias.

Tive la 2 anos, estava a ser mal pago, mas como o projecto e as pessoas eram bastante interessantes decidi permanecer ali ate acabar o projecto.

Fui de ferias de natal e quando volto. BAM! O projecto foi cancelado!

-"Voltem por favor ao vossa empresa mãe" disse um dos directores.

Ora farto disto pensei: "Ano Novo, vida nova!.Vou experimentar uma experiência no estrangeiro. Nao tenho casa para pagar, ninguém depende de mim… a faze-lo, esta é a altura ideal.".

Sempre me senti esta vontade de entrar em contacto com outras culturas. De saber se o "lá for é que é" se mesmo verdade ou não.

Pus o meu CV num site internacional e esperei.

3 meses depois estava em Nice a trabalhar.
Nunca na vida tinha pensado ir para Nice (quando me telefonaram nem sabia aonde era). Mas o desafio e o convite de uma empresa internacional seduziu-me.

E o que vos posso dizer é que todos os preconceito que eu tinha de uma experiência no pais do queijo foram drasticamente alterados:

1- A nível de organização não devemos nada aos Franceses. Mas ao mesmo tempo creio que nos dão mais responsabilidades aqui em Franca.

2- Passado um ano o projecto onde estava foi anulado (o mesmo que tinha acontecido em portugal).

3- Tem mais orgulho em eles mesmos que os portugueses...mas ao mesmo tempo contratam pessoas de todo o lado. Em portugal nunca vi uma empresa contratar pessoas que não soubessem português.

4- Trabalham menos horas que nos e tem mes e meio de Ferias.

5-Queixam-se do mesmo que nós: "Lá na Escandinávia é que é"

Fora do trabalho eis o que verifiquei:

1- O Franceses tomam duche todos os dias

2- Chove menos em Nice que em Lisboa

3- Começo a falar como um emigrante.

Tudo isto para dizer que nem tudo é mau em Portugal como também nem mau no estrangeiro. É apenas diferente...a cada um de depois se adaptar a essas diferenças.

15 comments:

tatoia said...

Sim, quando nos mudamos de Portugal por razões de falta de dinheiro ou respeito pelos nossos direitos andamos meio deslumbrados com o nosso país onde vivemos, mas aos poucos vamos descobrindo coisas que até eram melhor em Portugal.

Seja como fôr, continuo a ver com olhos bem abertos o quanto é cada vez mais dificil fazer vida de adulto em Portugal.. Ou seja, não depender dos pais para NADA. Sim, porque há quem lá consiga viver mas depende da ajuda deste ou daquele, quanto mais não seja para evitar pagar o preço do infantário.

Dito isto, fico contente por teres uma visão realista das coisas, e que é também um facto que há lugares melhores que França.

Eu por cá estou muito feliz, por Dublin, acho que os ordenados são bons e o estilo de vida também, ou seja, a forma como a equipa de trabalho funciona é mto justa e descontraída. Não penso voltar para Portugal a não ser para visitar a familia e apanhar uns dias de praia.

Felicidades.

Anonymous said...

por curiosidade: qual foi o site em que colocaste o cv?

sucata said...

monster.co.uk ou monster.com

Barbosa said...

Acima de tudo é importante percebermos que, enquanto portugueses, não somos piores que os outros. mas que sim, em Portugal é dificil ser-se adulto, percebo isso melhor agora que estou no estrangeiro, em Nice.

gads said...

Boa crónica!
Partilho de opinião semelhante.

No entanto, em relação ao ponto 3, deixem-me acrescentar de que já trabalhei numa equipa internacional cá em Portugal, e penso que a verdadeira razão de não haver mais trabalhadores estrangeiros deve-se a estes exigirem salários mais elevados.

É que de certa forma, nós por cá somos "baratos" em relação à maior parte dos países ditos civilizados.
:)

Cumprimentos

mikatu said...

Os portugueses não são baratos, são é mal pagos, há uma ligeira diferença.
Trabalho numa consultora multinacional e apesar de não sermos nada baratos, muito pelo contrario, os ordenados são baixos para o que se pratica no mercado. À empresa compensa trabalhar em projectos por essa europa fora porque apesar de ter de pagar viagens e alojamento ainda fica mais barato do que contratar um qql trabalhador local...

Anonymous said...

"Tive lá dois anos (...)", teve lá o quê?
Não terá "estado" lá dois anos, assim mais para o verbo "estar" que "ter"?
São pessoas assim, como o João, que me fazem gostar muito de ficar por cá sabe?
Obrigada e boa sorte.

Ana Morais

DMNY said...

oh Ana, com a quantidade de analfabetos que há em Portugal... esse comentário deixa muito a desejar...

Anonymous said...

Deixa?
Talvez deixe apenas visível que nem todos tentamos sempre o nosso melhor por cá e que é mais fácil criticar [como eu fiz a uma mera distracção do autor do texto e como fazem, em relação a Portugal, a maioria dos que partem] que fazer melhor e insistir por cá [como quase todos os que aqui partilharam as suas experiências fizeram].
E se este espaço mostra como algumas pessoas capazes e sobretudo audazes (porque eventualmente alguns o serão bem mais audazes que capazes e o tempo mostrará) tentam a sua sorte fora do seu país - e não direi além "fronteiras" porque hoje em dia trabalhar dentro da UE não é propriamente o mesmo que emigrar no sentido que há 30 ou mesmo 20 anos era e o que isso verdadeiramente significava, mesmo para quadros superiores - não deixa de ser tristíssimo que aleguem quase sempre que Portugal seja o malévolo país que não lhes soube dar valor e trabalho como aspiravam.
O que aqui está em causa - naquilo que eu tento dizer, claro - é que nem tudo é branco ou negro e que se é profundamente saudável a experiência de vida e profissional que se adquire fora do país de nascença (e isto pode começar por exemplo com a decisão de estudar fora, o que considero uma excelente mais-valia pessoal, mais que académica) também não se deve (digo eu) sistematicamente tecer considerações negativas e derrotistas face a um país que com todos os seus aspectos (muito) negativos continua a funcionar e a fazê-lo com as pessoas que escolheram ficar nele, investir nele e, sem qualquer patriotismo patético, inútil e dispensável, nele apostar com tudo o que têm e que nele aprenderam.
É que se todos fizermos o mesmo, não lhe deverá ser difícil calcular o resultado pois não?
É que se me merecem todo o respeito os senhores e senhoras que decidem o melhor para si mesmos fora de Portugal, seria, também, agradável que os portugueses que permanecem não fossem tantas e tantas vezes confrontados com a ladainha de sempre que "lá fora é que é bom".

Cumprimentos e, como disse antes, boa sorte.
Se lhe deixo algo a desejar agora, será um problema seu, não tenho de lhe responder mais nem o farei - já ocupei espaço mais que suficiente num local que não me diria respeito fazê-lo uma vez que não tenho uma experiência profissional que possa ser (exactamente) inserida neste contexto e relatada aqui - e se não sabe aceitar uma crítica que não seja inteiramente positiva, esse é uma insuficiência sua, não minha. Por muito que isso não me espante.
Não foi minha intenção criar aqui qualquer polémica e muito menos dar ainda mais motivos para que um chorrilho de vitimização e mais condenações aos portugueses "e quejandos" seja feita.

Ana Morais

DMNY said...

Ana, o que tu disseste foi "São pessoas assim, como o João, que me fazem gostar muito de ficar por cá sabe?" como se em portugal fossem muito eloquentes. quanto ao resto, estou fora de portugal ha mais de 2 anos, sei ver as coisas boas do meu pais, e sei ver as mas. bem como do sitio onde estou. e, acima de tudo, esta experiencia nao me permite pensar que sou mais que os outros. apenas que portugal e', de facto, um pais muito aquem ate da europa.
(nao escrevo com os acentos correctos porque o teclado nao mo permite)
ps: criar polemica e' bom :)

Anonymous said...

Ana, o seu discurso é todo ele patriotismo - e um bocadinho negação. Não tenho nada contra a sua escolha, mas... costuma ler jornais, certo? Sabe o que se passa em Portugal? Portugal e não só, a crise toca a todos, até o Luxemburgo começa a ressentir-se (e penso que percebe o meu "até"...). Não há nenhum desmérito em emigrar hoje, mesmo se é bastante mais simples do que há 30 anos atrás. Daí o meu respeito pelos emigrantes dos anos 50/60... Mesmo se "assassinam (involuntariamente)" o vernáculo de Camões! Muitos de nós prefereriam ter ficado, sem ter que deixar para trás amigos e família. Não é o meu caso, confesso (e família e amigos não me levam a mal), não "sofro" de qualquer patriotismo (que não paga "dívidas") - mas também não tenho vergonha de ser portuguesa (o que aqui é o mesmo que ser empregada de limpeza, profissão tão digna como qualquer outra, mas ainda assim estereotipada...). Ainda, se todos fizessemos o mesmo, i.e., ficar e investir no país que nos "formou", não haveria sistema social que aguentasse, nem filho que abandonasse a casa dos pais!
Quanto à sua correcção ortográfica, tenha dó, não é só em Portugal que se escreve bom português, longe disso. Ah, e saiba que nós, os emigrantes, também temos direito à nossa "ladainha"...
Desejo-lhe também boa sorte, espero sinceramente que "Portugal" a compense pelo seu esforço e dedicação.

Marta Figueiredo

João Branco said...

Como estrangeirado durante 5 anos e regressado há quase 4 anos fico feliz por poder ler aqui uma opinião como a da ana. E sim, também sou um dos que voltou porque acredita que pode ajudar (um bocadinho) o país. Até agora não tenho tido razão de queixa (com excepção do cocó nos passeios)

Também acho que grande parte dos comentários "branco-e-pretizam" demasiado o assunto e, sobretudo, tentam encontrar uma espécie de "culpa" num país megero que lhes fechou as portas. Acho que sair ou não do país é uma escolha pessoal, muitas vezes reforçada por condicionantes ou condicionalismos. E isso aqui ouve-se pouco.

Conheci muita gente que saiu dos seus países (Suíça e Inglaterra, mais concretamente) e nunca ouvi a história de que o próprio país não lhes dava valor. Alguns saíram por razões profissionais, outros por razões pessoais - e isso acontece, felizmente, um pouco por todo o mundo. Também conheço estrangeiros que vivem muito felizes cá e saíram da Bélgica, França, etc., para tentarem a sua sorte aqui.

Alguns não concordarão, mas para mim muitas histórias "heroificam" demasiado o grande passo de atravessar Badajoz, equiparando-se de certo modo aos aventureiros que tiveram de abandonar pátria e família para melhorar a vida, muitas vezes sem saber quando voltaríam. Nós, se quisermos vamos ali num fim-de-semana e voltamos uns dias depois ... ou umas semanas/meses depois.

Por outro lado, acho que há uma grande desproporção entre estar a viver 1 ou 2 anos (a maior parte dos casos) no estrangeiro e poder dizer que já se conhece o país. Segundo a minha experiência, e sem querer soar muito professoral, demora algum tempo mais até que se possa sentir que se vive mesmo na sociedade em questão, que se possa analisá-la com os seus lados positivos e negativos. Em Portugal, já vivemos tudo e temos tendência a comparar com algo que é recente - o que não é justo.

Não é por acaso que as histórias mais pensadas são de pessoas que já passaram mais tempo fora. Nessas, é possível ver que há muita coisa boa lá fora, sim senhora, mas também o há cá. E por vezes é duro lidar com uma cultura estrangeira e que também lá podes ser mal-pago ou despedido ou ... ou ... por aí fora.

Apenas para concluir: seria mais fácil para a discussão se tentassem tirar os óculos a preto e branco

Anonymous said...

Como estrangeirado durante 5 anos e regressado há quase 4 anos fico feliz por poder ler aqui uma opinião como a da ana. E sim, também sou um dos que voltou porque acredita que pode ajudar (um bocadinho) o país. Até agora não tenho tido razão de queixa (com excepção do cocó nos passeios)

Também acho que grande parte dos comentários "branco-e-pretizam" demasiado o assunto e, sobretudo, tentam encontrar uma espécie de "culpa" num país megero que lhes fechou as portas. Acho que sair ou não do país é uma escolha pessoal, muitas vezes reforçada por condicionantes ou condicionalismos. E isso aqui ouve-se pouco.

Conheci muita gente que saiu dos seus países (Suíça e Inglaterra, mais concretamente) e nunca ouvi a história de que o próprio país não lhes dava valor. Alguns saíram por razões profissionais, outros por razões pessoais - e isso acontece, felizmente, um pouco por todo o mundo. Também conheço estrangeiros que vivem muito felizes cá e saíram da Bélgica, França, etc., para tentarem a sua sorte aqui.

Alguns não concordarão, mas para mim muitas histórias "heroificam" demasiado o grande passo de atravessar Badajoz, equiparando-se de certo modo aos aventureiros que tiveram de abandonar pátria e família para melhorar a vida, muitas vezes sem saber quando voltaríam. Nós, se quisermos vamos ali num fim-de-semana e voltamos uns dias depois ... ou umas semanas/meses depois.

Por outro lado, acho que há uma grande desproporção entre estar a viver 1 ou 2 anos (a maior parte dos casos) no estrangeiro e poder dizer que já se conhece o país. Segundo a minha experiência, e sem querer soar muito professoral, demora algum tempo mais até que se possa sentir que se vive mesmo na sociedade em questão, que se possa analisá-la com os seus lados positivos e negativos. Em Portugal, já vivemos tudo e temos tendência a comparar com algo que é recente - o que não é justo.

Não é por acaso que as histórias mais pensadas são de pessoas que já passaram mais tempo fora. Nessas, é possível ver que há muita coisa boa lá fora, sim senhora, mas também o há cá. E por vezes é duro lidar com uma cultura estrangeira e que também lá podes ser mal-pago ou despedido ou ... ou ... por aí fora.

Apenas para concluir: seria mais fácil para a discussão se tentassem tirar os óculos a preto e branco

Diogo said...

João.

Descobri agora mesmo este site através de um amigo que está em Barcelona. Também eu estou por Nice. Cheguei há cerca de 1 mes e estou a trabalhar no Monaco numa empresa Offshore. Fico contente por haver mais Portugas por aqui.
Vou também escrever a minha história, mas enquanto isso não acontece que tal combinarmos um copo?
Podes contactar-me para o meu email?

Cumprimentos Portugas.

Diogo Carvalho
carvalhdiogo@gmail.com

nat said...

Ana, só é pena o seu tom quando dá a sua opiniao. Nao me parece justo comecar a criticar logo por um erro de escrita (principalmente verificando que quem vive fora, comeca a escrever com alguns erros - nao sei nem me interessa se foi essa a razao do erro).

Vivo fora, tenho um emprego académico e concordo em parte com o que disse, mas acho que se perdeu muito pela forma como o disse. Concordo em parte porque o meu plano sempre foi voltar e fazer algo pelo meu país aproveitando o que aprendi fora - plano que se está a tornar dificil de concretizar devido à situacao de Portugal actualmente. E também me parece que alguns dos testemunhos aqui no blog me soam a meias verdades, posso estar errada mas devido a 6 anos fora e a contacto com alguns portugueses académicos na mesma situacao, os relatos aqui por vezes soam mais a incentivo do que à realidade. No entanto, sao obviamente uteis para quem pensa ir para fora.

Tenho que dizer que o testemunho do Joao foi dos que mais me fez sorrir. Devo acrescentar que a questao dos banhos todos os dias nao se aplica a todos os países da Europa ;-) mas é claro que também depende da regiao do país (se cidade cosmopolita se cidade pequena) e educacao individual. Ainda bem para o Joao que se aplica à Franca :) Parabéns Joao, conseguiu ser especifico e também engracado :) Boa sorte!