25.11.08

Hugo, Licenciado em Sistemas de Informação para a Gestão. Toronto, Canada

O meu nome e' Hugo, sou natural de Barcelos e formei-me no Instituto Politécnico do Cavado e do Ave em Sistemas de Informação para a Gestão. Actualmente moro em Toronto, Ontário, Canada e há um ano que faço Quality Assurance (para facilitar um bocado as coisas, digamos que testo software, apesar de que ser QA envolve muito mais do que isso) num dos maiores bancos do Canada.

Mudei-me para aqui, como podia ter-me mudado para outro lado qualquer. Casei-me com uma canadiana e meti os pés ao caminho. Mas a minha ideia passava sempre por sair de Portugal.
A ideia que tenho do nosso pais e' que há muita gente que se queixa de muita coisa, mas não sabem realmente o que fazer para mudar isso. Entretanto, formamos jovens as carradas para os inserir num mercado de trabalho que não existe nacionalmente. Acabamos por fim a ver licenciados em, por exemplo, engenharia química a trabalhar em balcões dos bancos. Não e' que haja nada de errado nisso, mas será que quando um jovem escolhe um determinado curso de química, esta a pensar em ir trabalhar para um banco? Quanto muito escolhia um de economia ou de gestão e depois tentava subir nos quadros. Mas adiante...
Estava a ler o blog Norteamos e dei de caras com mais uma estoria de alguém que teve de sair de Portugal para poder ser alguém. E lembrei-me imediatamente do tal artigo que deu inicio a este blog. O link? Guardo-o religiosamente: http://dn.sapo.pt/2005/10/28/tema/20_licenciados_fogem_portugal.html
E' uma reportagem que não me sai da cabeça nunca, especialmente porque decidi sair do meu pais temendo já aquilo que me iria acontecer, como acontecem aos muitos dos meus colegas licenciados.
Digo já que não guardo amores nenhuns ao meu "querido" pais natal, que sempre me tratou de uma forma medíocre. Aqui tenho toda a liberdade para fazer o que quero e o meu trabalho e' muito apreciado e muito bem visto. E confesso desde já que havia uma desconfiança inicial em relação a mim devido 'a minha nacionalidade. Gostei imenso de provar que nos os portugueses somos capazes de fazer coisas muito boas, mas colocam-nos entraves no nosso próprio pais. Desde medicina 'a informática, os recém-licenciados não tem hipótese nenhuma de se impor e fazer um real uso do seu valor.
Para terminar e demonstrar como Portugal só tem a perder com este 'êxodo de cabecinhas pensadoras', fui distinguido recentemente com o prémio de excelência para 2008 (2008 (nome do banco) Award of Excellence) e conseguir isto, no primeiro ano que estou a trabalhar no banco e sendo eu ainda considerado júnior, e' um feito de um tamanho que nem eu consegui perceber ainda... Não duvido nadinha, que tal como eu, existem muitos outros a quem o trabalho e' devidamente reconhecido e recompensado.
De Portugal... tenho saudades dos meus pais e dos meus amigos. A vida aqui seria um paraiso se os tivesse ca', mas a vida nao pode ser como a gente quer.

28 comments:

Era uma vez um Girassol said...

Gostei muito do teu testemunho, Hugo, por entender tão bem este problema por ter duas filhas que também se foram embora daqui.
Parabéns pelo sucesso, pela liberdade e coragem com que enfrentaste essa saída, por esta análise dura, que espelha o horizonte negro que os licenciados em Portugal têm pela frente...
Que pena, não é?
Tantos sacrifícios que os pais passaram para os formar, tanto trabalho e energia desperdiçados pelos próprios!
" o êxodo das cabecinhas pensadoras" dizes bem, que Portugal perde por não os acarinhar e valorizar.
Continuo a pensar que este espaço vale imenso, principalmente para dar coragem a tantos outros jovens licenciados que se encontram sem futuro actualmente.
Um abraço lusitano

Hugo said...

Viva,

quanto a isso os meus pais so me disseram: "Vai para onde sabes que vais ser feliz". E assim fiz.

Tirando as temperaturas negativas e a neve constante durante o Inverno, nao me arrependo nadinha de me ter mudado.

Mas o que mais me impressiona e' ver jovens como eu, que tem exactamente a mesma mentalidade retrograda de pessoas mais velhas, especialmente se foram formadas em Universidades auto-entituladas como prestigiosas. E exigem serem tratados por doutores ou engenheiros. Ridiculo.

Aqui no banco existem milhares de MBA (Masters of Business Administration) e ninguem os trata por nada a nao ser pelo primeiro nome. E gosto de pensar, embora contrariado, que apesar das universidades norte-americanas (Canada, USA) estao a milhares de anos-luz das nossas (ja para nao falar da economia) formam alunos que mostram mesmo o que sabem e nao se escondem atras de pseudo-titulos do tempo da velha senhora.

Da tambem gosto ver alguem como eu, com um curso feito num politecnico que nao se compara as "grandes universidades portuguesas", conseguir vingar num pais onde a competicao e' qualquer coisa de avassaladora.

Tenho orgulho daquilo que consegui atingir e desejo do fundo do meu coracao que as suas filhas consigam vingar nos paises que estao la fora e porem o nome de Portugal bem la no alto.

So para actualizar a minha situacao, ja comecei o meu treino formal para ser team lead (lider de equipa). Eles acham que eu tenho perfil para a lideranca... e o meu passado continua a ser o mesmo: um desempregado no meu pais natal com um curso feito num politecnico...

Alguem me explique isto um dia. De preferencia alguem que ache que em Portugal esta tudo bem e que nao compreende porque e' que cada vez mais os jovens portugueses vao-se embora.

Tiago Gonçalves said...

"...mas será que quando um jovem escolhe um determinado curso de química, esta a pensar em ir trabalhar para um banco?"

Depende sempre do curso. Se as pessoas continuarem a escolher cursos que não têm saída...
Conheço muitos licenciados em universidades prestigiadas portuguesas, porque as há assim como em todo o lado, que não exigem ser tratados por doutores e engenheiros, aliás normalmente até preferem não o ser, e se são assim tratados não é por sua exigência.
Também eu espero um dia quando acabar o meu curso se a oportunidade surgir partir numa aventura no estrangeiro. Mas não o faria partindo de ideias pré-concebidas que não correspondem à verdade, mas sim porque gostava de conhecer outras culturas e pessoas.

Ps: Já trabalhei no estrangeiro, não na área para que estou a estudar, e sei muito bem do que as pessoas ditas mais avançadas que as portuguesas são capazes, de mais e muitas vezes pior do que em Portugal...O que não falta no estrangeiro são pessoas que têm "a mania"...Há em todo o lado.

Hugo said...

O que eu quis dizer com esse comentario, e' que os nossos jovens nao sabem escolher um curso que lhes de uma saida profissional, nem tao pouco tem quem os possa ajudar.

O meu pai queria que eu fosse contabilista. Se eu seguisse o conselho dele, estaria hoje num gabinete qualquer a ganhar o salario minimo e a fazer um trabalho frustrante (sei la... inserir registos num programa qualquer da Primavera). Em vez disso puxei um bocado pela cabeca e meti-me na informatica. Mal a mal, computadores da para tudo (HelpDesk, tecnico de reparacoes, programador, etc...)

Eu tenho esta ideia um bocado radical, que nem todos podem ser licenciados. Mas em Portugal existe a ideia de que todo a gente tem de ser doutor e ter um curso superior. Dai que existam um sem numero de cursos que nao dao emprego a ninguem. Ora porque o mercado nao consegue escoar tanta mao-de-obra, ora porque o mercado nao sabe como fazer uso dessa mesma mao-de-obra.

Quando eu entrei para a universidade (por volta de 1999), a contabilidade era o que estava na moda. Mas pensei se dali a 5 anos ainda estaria igual? O que e' bom hoje, pode nao ser assim quando terminamos um curso.

Eu gostava muito de seguir filosofia e/ou um curso de letras, para depois fazer o que? E' muito bonito o curso... mas sera que o estomago tem a mesma opiniao? E' que a fome esta sempre la...

Eu podia continuar o meu discurso sobre tudo o que eu penso que esta mal, mas gostava de focar estes pontos:

- faz sentido que existam tantas universidades em Portugal?
- faz sentido que se continuem a leccionar (quero la saber do novo acordo ortografico) cursos que se sabe logo 'a partida que nao vao ter saida nenhuma? ou pelo menos limitar fortemente o numero de cursos.
- faz sentido que em Portugal, uma universidade particular seja sinonimo de "comprar o curso" para meninos ricos que querem ser doutores e engenheiros 'a forca, enquanto que la fora e' sinonimo de prestigio e muito esforco academico?


Tenho pena de dizer isto, mas nem toda a gente nasceu para ser formado numa universidade. Pensa assim: consegues confiar num condutor que reprovou o exame de conducao 20 vezes e passou ah 21a vez? Da mesma forma, como podes confiar num profissional formado em Portugal que falhou o mesmo exame, sabe-se la quantas vezes?

Quanto a mim... sei tanto agora como sabia antes de ir para a universidade. Mas uma das coisas que se exige no desenvolvimento de software (se o objectivo for atingir um certo patamar de qualidade do software, vide CMMI ou ISO), e' que toda a gente envolvida tem de ter educacao superior. Dai eu ter o curso que tenho. Senao de resto, nem queria saber de universidade para nada.

O meu segredo e' o esforco e a dedicacao. E como sou um tipo mimado, se tiver um pouco de carinho das pessoas, o melhor de mim sai naturalmente.

Aqui no Canada mimaram-me como um bebe... o resultado ficou 'a vista.


Actualizacao: foi-me atribuido um multiplicador de 1.5 no meu bonus anual (os multiplicadores podem ser de 0.75, 1.0, 1.1, 1.3, 1.5 ou 2.0; dependendo da performance). 90% do pessoal cai no 1.0, 7% cai entre 1.1 ou 1.3, 2% cai no 1.5 (eu) e 1% cai no 2.0



Nao duvido nada que a noticia da minha promocao venha a caminho. Tenho muito orgulho e vaidade naquilo que consegui. Modestia? Nao tenho nenhuma, nem posso ter.

Onde e' que em Portugal eu conseguia atingir o que atingi aqui em tao pouco tempo?

Ana said...

Hugo desde já os meus parabéns! Qualquer pessoa que sai do próprio país para trabalhar arrisca, porque nada é garantido. Mas, pelo texto e por estes comentários vejo que te integraste muito bem e tens sido bem sucedido.
Sou psicóloga e também estou a tentar uma oportunidade fora deste país. Desejo conhecer outros mundos, desejo conhecer-me melhor e até conhecer melhor o estado da Psicologia noutros países, daí esta minha tentativa. Não sei se vai correr bem, se vou ou não conseguir, mas pelo menos tenho de tentar. Por agora tento o Reino Unido, mas um dia adoraria ir para o Canadá.
Apesar de saber que Psicologia é uma profissão maldita cá em Portugal decidi arriscar porque não me vejo a fazer mais nada. Gosto realmente do que faço e só tenho pena que Portugal não saiba dar valor não só aos psicólogos, mas também aos seus jovens trabalhadores, tenham eles tirado o curso em "pristigiadas" faculdades ou de politécnicos. O que eu sei é que o facto de se ser bom profissional tem muito pouco a ver com o sítio onde se estudou... pelo menos assim o é em Portugal.
Desejo muita sorte a todos os que têm coragem de sair do país à procura de melhores condições. Força!

David said...
This comment has been removed by the author.
Daniel Pinto said...

Olá Hugo!

Eu também sou um jovem licenciado expatriado e neste momento encontro-me a trabalhar no Peru...no entanto saí porque queria simplesmente viajar e conhecer novas culturas e realidades...
...não saí por necessidade pois tinha várias oportunidades de emprego em Portugal, desta forma talvez a minha perspectiva relativamente ao nosso querido Portugal é outra...

Admito que fico triste quando os expatriados que saem de Portugal e que têm sucesso demonstrem um renegação ao seu país de origem...

Eu que já tive a oportunidade de viver em vários países sinto-me cada vez mais orgulhoso de Portugal e sem dúvida que o nosso sucesso fora de Portugal se deve à nossa cultura e educação. Nunca me senti menos culto, preparado ou capacitado face aos estrangeiros.

Para finalizar, o teu relato de vida transmitiu-me dois tipos de sentimentos...um de orgulho por estares a ter sucesso e por outro de tristeza devido ao teu "desprezo" por Portugal...no entanto posso dizer-te uma coisa, serás sempre bem recebido pelos teus compatriotas e nunca te sentirás em casa como no nosso querido Portugal!


Mais uma coisita...isso de haver licenciados a mais...não concordo...o que há são licenciados a menos em determinadas áreas (como engenharias e ciências) pois estão todos concentrados em determinadas áreas que já não têm saída...na realidade a Europa e o Mundo vão sentir uma carência de técnicos nos próximos anos.

Um abraço do Peru e continuação de bom sucesso pelo Canadá.

Daniel Pinto

Claudette Guevara said...

Olá Hugo. Este meu comentário serve para tirar uma dúvida.

És de Barcelos, entraste na faculdade em '99, logo... estudaste na Alcaides de Faria? Provavelmente cruzamo-nos muitas vezes e tivemos os mesmo professores...

Barcelos tem exportado muitos profissionais. Da nossa geração, estão quase todos lá fora. Eu devo ir a caminho disso no próximo ano.

Que tenhas um futuro de sucesso. Cumprimentos, Cláudia Gonçalves.

Hugo said...

David: entrarei em contacto contigo muito em breve.

Daniel: existem licenciados a mais no sentido que temos uma grande quantidade de individuos com um curso superior, mas obviamente que isso vai ter aspectos muito negativos na qualidade do profissional. Eu sempre preferi muitos e bons a poucos e fracos. O nosso ensino e' um bocado anedotico porque vai na moda do laissez faire, laissez passe. Em vez de seleccionarem melhor os estudantes, preferem meter la qualquer um. Ainda ha bem pouco tempo, alguns cursos aceitavam alunos com medias de 3.0 ou 4.0! Felizmente que isso ja acabou.

Claudette: Estive na ETGB (Escola de Tecnologia e Gestao de Barcelos) quando ainda tinha as instalacoes em Arcozelo. Agora esta em Abade do Neiva (salvo erro). Antes disso, estava no Liceu (Escola Secundaria de Barcelos). Eu convivia com muita gnete da ESAF, mas duvido quanto a ter os mesmos professores. Na ETGB, 90% era so tachos (patrocinados pela nossa querida Camara Municipal de Barcelos) para quem nao conseguia ensinar numa escola publica ou nao tinha emprego nenhum.

Claudette Guevara said...

Pois, Hugo. Então não tivemos os mesmos professores. Eu não frequentei o Liceu, nem a ETGB.

;)

Hugo said...

Olá Hugo
Gosto de ler estas histórias de sucesso mas como o Daniel escreveu,fico triste com o desprezo que revelas por Portugal.
Também já sou expatriado há muito tempo e cada vez tenho mais orgulho de ter nascido em Portugal.
Felicidades

Hugo said...

Sim, tens direito 'a tua opiniao e eu tenho direito 'a minha. Nao tenho de gostar de algo apenas por ter lacos com esse algo.

E quanto a ser bem recebido pelos meus patriotas... nao e' bem assim. Podia alongar-me um bocado, mas em termos gerais, o portugues que ficou no pais tem sempre aquele "carinho" caracteristico para com os emigrante e nao gostam muito de nos, os que tiveram de deixar tudo para tras. Ja fui insultado e maltratado com os tipicos preconceitos que andam sempre de maos dadas com o emigrante portugues.

Nao posso gostar de um pais que nao sabe andar para a frente. Ou melhor... se calhar ate sabe andar para a frente, mas nao quer, o que e' muito pior.

Tiago Gonçalves said...

Hugo mais uma vez estás a partir de ideias feitas...o que eu vejo neste blogue é tudo menos o "carinho" que descreves, e mais uma vez te digo que energúmeros há em todo o lado. Mas o que eu vejo por aqui é quase sempre admiração e respeito por quem se aventurou no estrangeiro...e é o que eu vejo todos os dias. Temo que estejas fora à tanto tempo que já não conheces Portugal...

Hugo said...

Temo e' que Portugal nunca me conheceu a mim :-)

li said...

desculpa, tiago, mas concordo com o hugo. sou filha de emigrantes, estudei em portugal e estou presentemente a estudar na suíça. e sim, fui vítima de actos de xenofobia/racismo quando decidi continuar os meus estudos em portugal, tinha eu 13 anos. e ainda hoje, ouço críticas e comentários desagradáveis...
admiração e respeito? duvido muito.
inveja e desrespeito? q.b.

Hugo said...

Eu nao duvido nada que haja muito respeito e admiracao neste blog por todos aqueles que decidiram por os pes ao caminho e tentar fazer algo de jeito da vida. Mas e' so mesmo neste blog... a realidade e' que o emigrante ainda e' uma pessoa muito mal vista pelo nosso povo.

Uma vez estava na conversa com um tipo qualquer sobre informatica. O homem era (e' ...?) leigo na materia, logo foi muito facil eu desmantelar os argumentos que ele me ia apresentando. Ele falava apenas com o seu senso comum e eu falava com conhecimento empirico e cientifico. Eis que, vindo do nada, sai o fantastico argumento de retorica dele, e passo a citar: "La vens tu com as tuas manias de emigrante".

Refiro que nem sequer uma vez eu usei o seguinte seguemento: "La no Canada..."

P.J. said...

David Costa? Esse nome nao e' estranho, por acaso nao trabalhaste na Qimerda e ficaste a berrar $$$$ com o nao pagamento ao fisco da TracyIT?
Mais um a por-se ao fresco...
Com que entao Canada? Sim Sr...
Da' cumprimentos ao Terrence & Phillip (LOL, nao resisti)...

David said...
This comment has been removed by the author.
PM said...

Hugo, isso é muito simples, o emigrante é mal visto apenas por inveja. O português dá-se mal com o sucesso dos outros e convive bem com a desgraça dos outros. Não sou natural de Portugal, sou filho de pais portugueses e vivo actualmente em Portugal. Portanto, sei do que falo.

Hugo said...

Ola PM,

nao penses que os portugueses que estao aqui emigrados sao muito melhores. Muitos deles nao percebem como e' que eu mal cheguei aqui, fui logo parar a um banco quando o resto vai parar a emprego menos qualificado. Para mim a explicacao e' simples, mas para o resto tem de haver alguma coisa que nao esta bem explicada.

Nao sei porque, mas o emigrante e' sempre mal tratado em todo o lado. Agora mal tratado pelo seu proprio povo, e' mais dificil de perceber. Especialmente quando o proprio povo, se os tivesse no sitio, ja tinha saltado fora do barco ha muito tempo.

Eu portugues? So no papel do BI... e nao tenho problemas nenhums em dizer isso. Mas tenho muito orgulho em ser minhoto. :-)

Anonymous said...

Olá Hugo,
não concordo com muito do que disseste mas se há algo com que concordo é "confesso desde já que havia uma desconfiança inicial em relação a mim devido 'a minha nacionalidade. Gostei imenso de provar que nos os portugueses somos capazes de fazer coisas muito boas"
dá um gostinho especial eu sei!! e o reconhecimento também é muito bom :) aliás acho que no meu caso é o reconhecimento é o principal motivo de continuar cá por fora...

Parabéns pelo teu sucesso!

Hugo said...

Ao anonimo de 19 de Janeiro as 2:19pm:

nao estou 'a espera que haja alguem que concorde na totalidade com tudo o que eu digo e luto para que haja o direito a discordar de mim ou de outra pessoa qualquer.
Cada um tem a sua experiencia mais ou menos boa. A minha e' esta...

Os meus pais sao professores. Passaram a vida toda a dizer-me: "Hugo, estuda e trabalha muito porque nos nao temos nada para te deixar". Eu compreendo o que eles queriam dizer com isto porque a esmagadora maioria dos meus amigos eram todos filhos de industriais e empresarios e nao precisam de se preocupar muito com os estudos, se essa fosse a escolha deles. Mais tarde ou mais cedo, iam trabalhar com o pai ou com a mae deles, iam aprender o oficio e iam herdar o negocio. Confesso que se eu estivesse na pele deles, para mim Portugal tambem seria um pais das maravilhas:
- fuga ao fisco;
- subornos;
- cunhas;
- declarar o rendimento minimo, andar de BMW e nao haver ninguem a bater 'a porta para fazer uma auditoria;
- etc...

Confesso... Portugal era um luxo!

Em vez disso era o totozinhos dos computadores com um pai e uma mae que por serem professores nao faziam rigorosamente nada e ainda tinham direito a 4 meses de ferias por ano. Nada mais longe da verdade...

Temos um pais muito dificil onde queremos ser todos ricos e senhores doutores sem o minimo de esforco.

E se saimos do pais porque nao gostamos de onde estamos e alertamos que ca fora as coisas nao se fazem como se faziam no nosso pais de origem e temos de levar com coisas do tipo:
a) isso e' treta de emigrante;
b) Portugal nao e' assim tao mau como pintas;
c) nos e' que somos bons e o resto do mundo e' uma merda.

Para teres uma ideia um bocado mais detalhada, na America do Norte (EUA, Canada e Mexico), os portugueses sao conhecidos como os negros da Europa.

Agora tira as tuas conclusoes...

PS: ao fim de um ano de trabalho no banco, muita gente ainda se espanta com o facto de eu ser portugues... nao tem nada a ver com eu trabalhar melhor ou pior que um qualquer outro compatriota, mas tem a ver com os preconceitos e a imagem que o povo portugues tem nos paises ditos desenvolvidos. Acho que isto devia ser um sinal de alerta, mas em vez disso os portugueses sao os tipos que continuam as olhar para as suas sombras enquanto estao sentados na caverna (vide Platao).

Anonymous said...

Eu sei bem o que dizes em relação a vida ser muito mais fácil para alguns do que para outros. Acredita a minha não foi facilitada eu sou menina da aldeia e não quis ficar por lá, por isso tudo o que consegui (com a ajuda financeira dos meus pais durante o curso) foi por mérito próprio sem amigos dos papas a ajudarem e sem uma posição a espera... não digo que isso não aconteça, claro que também tenho muitos amigos que tem a vida facilitada pelas condições de vida/trabalho dos pais (quanto mais não seja a segurança que isso dá, mesmo que tentem fazer as coisas por mérito próprio primeiro) mas também somos muitos os que não temos nos conseguimos safar, só temos que nos dar mais valor por isso.
Mas isto acontece quer em Portugal quer noutros países. Agora estou no Reino Unido e isso também acontece aqui... quando aqui fiz o mestrado tive muitos colegas Ingleses, achas que eram diferentes? não eram! há de tudo...

Neste momento Portugal não e onde preciso de estar para atingir os meus objectivos (e acredita que dinheiro não e o que me move), mas isso sou eu. Conheço muita gente que esta lá e esta bem, tantos os que tem cunhas como os que não tem. Tal como conheço muita gente que esta mal… mas achas que também não conheço pessoas que estejam mal aqui no Reino Unido? Que tem curso superiores, alguns mestrado, e que estão a trabalhar em supermercados, pubs, call centers … pois conheço!

Portugal tem que mudar? Pode evoluir em muitos aspectos? Claro que sim! Mas criticar por criticar e especialmente generalizar que todo um pais e mau pela experiência de cada um é errado!

Se calhar sou um bocadinho idealista, mas a mim a vida ainda não me provou o contrario...

Raquel

Hugo said...

Raquel,

cunhas existem em todo o lado. E ate te digo mais: as unicas pessoas que criticam as cunhas sao apenas e simplesmente aquelas pessoas que nao tem nenhumas. Os que tem estao muito caladinhos e os que se queixam, assim que arranjam uma, tambem se calam.

A vida nunca foi justa para ninguem, porque e' que havia de ser agora?

Sabes o que podia ser diferente em Portugal? Queixarem-se menos. Eu digo sempre isto: trabalho nao falta, mas toda a gente quer um emprego. Isso empregos ja e' mais dificil arranjar... mas trabalho, gracas a Deus, nunca faltou.

ecila said...

Obrigada pelo link Hugo, é um artigo que todos os portugueses deviam ler...felicidades para a tua vida no Canada :-)

Hugo said...

Obrigado ecila ;-)

Felicidades para ti tambem!

Sara said...

Olá Hugo!

Gostei de ler a tua história e os teus comentários.

Eu também sou da área de informática, estudei na Faculdade Ciências Universidade Lisboa.
Neste momento estou desempregada... mas por iniciativa própria, simplesmente porque dia 1 de Maio 2009 vou imigrar para o Canadá (Toronto)!
Já vivi lá 8 anos, por isso sou canadiana também.

Será que podes dar o teu contacto para tobedream@gmail.com?

Obrigada.

Cumprimentos,

Sara

Daniela said...

Ola Hugo

eu e o meu marido estamos os dois em toronto e gostavamos de poder contactar-te relativamente a arranjar trabalho num banco. Podias me enviar o teu email ou contactar-me para didicat333@gmail.com?

Obrigada,
Daniela